Cemitério de Recoleta - Buenos Aires

Cemitério de Recoleta - Buenos Aires

O Cemitério de Recoleta fica em Buenos Aires e é um dos cemitérios mais visitados no mundo, juntamente com Père-Lachaise em Paris, é praticamente um museu a céu aberto. Para muitos parece ser estranho, mas há muita arte e muita história em Recoleta, sem contar nas estátuas de mármore e bronze e dos gatos que passeiam despretensiosamente entre os túmulos.

O cemitério foi fundado em 1822, sendo o primeiro cemitério público da Argentina. Situado no bairro de Recoleta, o cemitério ganhou fama devido ao luxo encontrado nos túmulos, um retrato do momento econômico vivido pela Argentina  no século XIX e no início do século XX. Com aproximadamente seis mil sepulcros e setenta mausoléus familiares, Recoleta tem, em toda sua extensão, os mais diversos estilos arquitetônicos.

 

Uma coisa que surpreende e dá um frio na espinha é que dentro de alguns mausoléus alguns caixões ficam expostos, não são enterrados. Esses caixões permanecem durante anos e dá a impressão que alguém vai sair dali a qualquer momento. 

Hoje em dia, devido ao alto preço dos terrenos e pela falta de espaço disponível livre, são poucos os funerais que acontecem em Recoleta. A equipe Zheit esteve no cemitério em Maio de 2018 e trouxe algumas curiosidades e muitas fotos.

No cemitério estão sepultadas algumas personalidades, como Eva/Evita Perón (ex primeira dama da Argentina); Vicente Lópes y Planes (autor do hino nacional); Luis Federico Leloir (bioquimico, ganhador do Prêmio Nobel de Química), entre outros vários presidentes, militares, escritores argentinos.

 

Mas, muito mais que um simples cemitério, Recoleta guarda algumas lendas e histórias interessantes de serem contadas.

Rufina Cambaceres

Rufina era filha do escritor Eugenio Cambaceres e, segundo a história, na noite em que Rufina fazia 19 anos de idade, sua mãe fez uma grande comemoração, levando-a para o teatro para apresentar para a sociedade. 

Porém, antes de saírem para o teatro, Rufina foi achada morta no chão. Um médico confirmou sua morte, sendo esta enterrada no dia seguinte. Contudo, dias depois de seu enterro, funcionários do cemitério acharam seu caixão aberto com a tampa quebrada. Versões dizem que o túmulo se Rufina sofreu um roubo, mas há versões de que Rufina tenha sofrido de catalepsia, sendo enterrada viva, uma vez que foram encontrados vários aranhões na parte de dentro do caixão. 

No túmulo de Rufina há uma estátua que mostra uma menina segurando uma maçaneta do túmulo, como se quisesse entrar ou sair do mundo dos mortos.

 

Liliana Crociati

Liliana faleceu em sua lua de mel na Áustria aos 20 anos de idade, em 1970, em virtude de uma avalanche que caiu sobre o hotel em que estava hospedada juntamente com seu marido. Porém, no mesmo dia da morte de Liliana, separado por mais de 14 mil km de distância, seu cachorro também faleceu. 

A família construiu um luxuoso túmulo que imita o quarto de Liliana e, na frente há uma estátua de Liliana com seu cachorro. Destaque que esta é a única estátua acompanhada por um cachorro. 

O marido de Liliana viveu até 1996 e, segundo histórias, de vez em quando, uma pessoa misteriosa deixa um ramo de flores no túmulo de Liliana, porém, esta pessoa não se deixa ver, pois some quando se aproxima algum vigia ou zelador do cemitério.

 

Luz Maria Garcia Velloso

Também conhecida como a "Dama de Blanco", Luz Maria faleceu aos 15 anos vítima de leucemia, no ano de 1925. Essa lenda é uma das mais conhecidas do mundo, onde a jovem sai para dançar e, com frio, acaba emprestando uma jaqueta de um belo moço. Contudo, a moça suja a jaqueta com café e, o moço promete que irá buscar a jaqueta depois, usando o velho truque para voltar ver a moça. 

Porém, ao passar na casa da moça para buscar a jaqueta, informam ao jovem que a moça faleceu e está enterrada em Recoleta. O jovem então, vai até o cemitério, encontra a tumba e, sob a tumba, está sua jaqueta manchada de café. 

Na tumba de Luz Maria há a representação dela dormindo, pois dizem que sua mãe dormiu em sua tumba algum tempo depois de sua morte.

Davi Alleno

Davi era o zelador do cemitério de Recoleta e tinha como um sonho ser enterrado em Recoleta, por ser um lugar onde somente os mais ricos eram enterrados.

Em virtude desse desejo incomum, Davi passou sua vida inteira economizando para comprar um terreno no cemitério. Com a ajuda de seu irmão, Davi viajou até a Itália para encomendar uma escultura para colocar em seu túmulo. Um detalhe é que a lápide e a escultura foram encomendadas com a data de sua morte: 1910. Quando era questionado sobre esse detalhe, Davi nada dizia. 

No dia em que a tumba ficou finalmente pronta, Davi avisou que não trabalharia mais como zelador do cemitério; despediu-se de amigos e familiares e, ao chegar em casa, se matou com um tiro.  Em seu túmulo, a estátua cuidadosamente planejada por Davi, o representa com suas roupas de trabalho, com um regador, uma vassoura e um molho de chaves. Lê-se os seguintes dizeres: "David Alleno, cuidador en este cementerio 1881-1910". Em cima do túmulo tem o nome de seu irmão que o ajudou a pagar: Juan Alleno.

 

Miguel Haines- O nobre esquecido

Miguel Haines era o neto do rei George IV da Inglaterra e, aos 20 anos ficou cego depois de uma operação na Europa. Seu pai, filho do rei, chegou ao Uruguai durante as invasões inglesas e seu filho foi até Buenos Aires.

Na sua morte, Miguel foi enterrado no setor 3, mas, por um descuido em uma reforma em 1880, seus restos desapareceram e, desde então, dizem que à noite é possível ver um velho que perambula pelo cemitério e que veste roupas de época. Porém, ao se aproximar, o velho simplesmente desaparece. 

 

Isabel Elvira - neta de Napoleão

No ano de 1847, o conde Alexandre Wallewski, filho de uma amante de Napoleão, chegou à Argentina juntamente com sua esposa que estava prestes à dar a luz. Na semana de sua chegada, a criança nasceu, mas era enferma e débil. 

O General Rosas ordenou que fossem prestados todos os atendimentos médicos, mas os esforços não deram resultado, em poucos dias a menina faleceu. Tempo depois, a esposa de Alexandre retornou à França, mas decidiu deixar os restos mortais de Isabel juntamente com os da sua madrinha, Mariquita Sánchez de Thompson. Os zeladores do cemitério contam que, em certas noites, é possível ouvir o choro de um bebê na tumba. Alguns contam que, se tiver coragem para se aproximar da tumba, é possível ver o bebê nos braços de sua madrinha chorando. 

Salvador Maria del Carril e Tiburcia Domingues

Essa é uma das histórias mais curiosas. Salvador e Tiburcia eram casados e não tinham um bom convívio. Depois de uma briga, o casal deixou de se falar, ficando assim por mais de 30 anos. Salvador, inclusive fez uma carta pública dizendo que não pagaria mais nenhuma dívida contraída por Tiburcia. 

 

Quando Salvador faleceu, Tiburcia fez um túmulo lindo para o marido, com uma estátua olhando para o sul. Quinze anos depois, quando Riburcia faleceu, seu último desejo foi que seu busto fosse colocado de costas para seu marido, alegando que seu ódio duraria a eternidade. Boatos que eles continuam sem se falar.

Elisa Brown

Elisa estava esperando a volta de seu noivo, o comandante Francis Drummond, que estava lutando na Guerra Cisplatina, sob as ordens de seu sogro, o Almirante Brown. Porém, na Batalha de Monte Santiago, Francis morre nos braços de seu sogro e, como sua última vontade, Francis pede que seu relógio seja entregue à Elisa. 

Meses depois da morte do noivo, sem suportar viver sem ele, Elisa, vestida de noiva, se joga no Rio da Prata e morre afogada. Seus restos estão dentro de uma urna que foi feita com o bronze fundido de um dos canhões da embarcação que Francis usou na guerra.

Dorrego Ortiz Basualdo

A tumba de Dorrego é considerada uma das mais grandiosas e caras do cemitério. A escultura é de mármore e recria uma cena de "La parabola de las virgenes prudentes y las virgenes necias", obra do escultor italiano Giovanni Villa. No túmulo também é possível ver um candelabro com sete braços e uma cruz latina com o emblema dos quatro Evangelhos em seus extremos, simbolizando que os donos são católicos. 

 

 

 

Evita Perón

Um dos túmulos mais visitados é da Família Duarte. Evita Perón, após alguns anos de seu falecimento e de seu corpo perambular por vários lugares diferentes, finalmente encontrou lugar para seu descanso eterno. 

Apesar de ser um dos túmulos mais visitados, este não tem nenhuma estátua ou algo que destaque no meio do cemitério e é possível que você passe reto, mas sempre tem um zelador de boa vontade que te indica o local exato. 

Evita faleceu em 26 de julho de 1952 em virtude de um câncer. Após sua morte, o corpo de Evita foi embalsamado e ficou exposto, recebendo visitas da população que lamentava sua morte. Seu corpo ficou exposto até o ano de 1955, quando os militares derrubaram Perón, o marido de Evita e, para que Evita não se tornasse um símbolo contra a queda de Perón, os militares roubaram seu corpo a fim de enterrar secretamente. Para realizar tal tarefa, um militar foi incumbido, mas, ao invés de enterrar Evita, ele ficou andando pelas ruas de Buenos Aires dentro de um furgão durante dias. Contudo, a população ficou sabendo de tal história e começou a pichar pelas ruas frases questionando onde estava o corpo de Evita! 

 

Os militares, então, começaram a "Operação Traslado", que consistia em levar o corpo de Evita para a Itália, sendo enterrada como "Maria Maggis de Maggistris". Com esse vai e vem do corpo embalsamado, acarretou alguns problemas. Quando o corpo de Evita voltou para Buenos AIres no ano de 1976, para ser enterrado no túmulo da Família Duarte, ela já não tinha mais o nariz e nem os dedos dos pés. 

 

Algumas fotos do Cemitério 

*todas as fotos são do acervo da Zheit

 

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Por Juliana Hembecker Hubert