24 de Agosto de 1940: O Primeiro Raid Noturno sobre Berlim e o Início da Blitz
18/06/2026 10:00
No final de agosto de 1940, com a Batalha da Grã-Bretanha em pleno auge, a RAF enfrentava pressão constante da Luftwaffe sobre aeródromos do sul inglês, mas uma oportunidade de retaliação surgiu após bombardeios alemães acidentais em Londres dias antes. Na noite de 24 para 25 de agosto, cerca de 80 bombardeiros Vickers Wellington e Hampden da RAF decolaram de bases no leste da Inglaterra rumo a Berlim, marcando o primeiro raid aéreo aliado sobre a capital alemã. Winston Churchill, autorizando a operação em resposta a violações do "pacto de não bombardeio de civis", declarou ao Gabinete: "Devemos retribuir na mesma moeda para mostrar que não estamos indefesos".
A missão, lançada por volta das 20h sob céu claro mas com defesas antiaéreas intensas, enfrentou dificuldades: apenas cerca de 30 aeronaves chegaram ao alvo devido a falhas de navegação e mau tempo sobre o Mar do Norte, soltando bombas incendiárias e explosivas sobre áreas industriais como o porto e refinarias nos subúrbios de Tegel e Spandau. Danos foram leves – poucas vítimas e estruturas atingidas –, mas o impacto psicológico foi imenso: sirenes ecoaram pela cidade pela primeira vez, expondo a vulnerabilidade da população alemã e enfurecendo Joseph Goebbels, que registrou em diário: "A fúria do povo é indizível; exigem retaliação imediata". A propaganda alemã minimizou os efeitos, mas o raid abalou a confiança na invencibilidade da Luftwaffe.
Na manhã seguinte, Hitler ordenou a mudança de estratégia, autorizando ataques a Londres em massa, abandonando o foco exclusivo em alvos militares da RAF. Isso iniciou a fase conhecida como The Blitz, com o primeiro grande raid noturno alemão sobre a capital britânica em 7 de setembro, prolongando-se por 57 noites consecutivas de bombardeios. A retaliação britânica acelerou o desgaste alemão na Batalha da Grã-Bretanha, aliviando pressão sobre os aeródromos Fighter Command e pavimentando a vitória aérea aliada. Churchill, em memórias posteriores, justificou: "Essas ações forçaram o inimigo a dispersar seus esforços".





