A participação do Brasil na I Guerra Mundial
29/05/2018 10:00
Infelizmente, poucas pessoas sabem que o Brasil participou da I Guerra Mundial e, apesar de ter uma participação simbólica no conflito, teve um impacto significativo no país.
A Primeira Guerra Mundial teve seu início em 28 de junho de 1914, com o assassinato do Arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa, perdurando até dia 11 de novembro de 1918 e envolveu as grandes potências que se organizaram em duas alianças: a Tríplice Entente (Reino Unido, França e Império Russo) e a Tríplice Aliança (Império Alemão, Império Áustro-Húngaro, Império Otomano).
A entrada do Brasil na I Guerra, que até então se mantinha neutro, se deu por causa de ataques aos navios da Marinha Mercante brasileira, pelos submarinos da Alemanha. No dia 11 de abril de 1917, o Brasil acabou rompendo as relações diplomáticas com a Alemanha e, no dia 20 de maio, o navio Tijuca foi torpedeado. Nos meses seguintes, o Brasil confiscou um total de 42 navios alemães que estavam ancorados nos portos brasileiros à título de indenização de guerra.

Mas, não parou por aí! No dia 27 de julho de 1917, o vapor Lapa foi atingido por três tiros de canhão de um submarino alemão. E, depois desse ataque, vieram muitos outros. Em 18 de outubro de 17, o navio Macau foi torpedeado pelo submarino U-93 da Alemanha.
No dia 23 de outubro de 17, o cargueiro Macau, um dos navios confiscados, foi torpedeado perto da costa espanhola. Antes de afundar o Macau, o comandante do submarino, Helmut Gerlach, ordenou que o capitão do Macau, Saturnino Furtado de Mendonça e o taifeiro Arlindo Dias dos Santos, fossem conduzidos até o submarino e, não se teve mais notícias dos dois brasileiros.


Diante desses constantes ataques, o Presidente Wenceslau Braz declarou guerra à Alemanha no dia 26 de outubro de 1917, sendo o único país latino americano a participar da I Guerra.

A missão brasileira na I Guerra foi pequena, resumindo ao envio de aviadores navais, uma missão médica e uma esquadra naval de guerra, além do fornecimento de alimentos e matérias primas, uma vez que o Brasil exportava cereais e café, principalmente para a França e a Inglaterra e nunca aceitou o bloqueio imposto.
Com relação aos aviadores, o Presidente Wenceslau Braz decretou que apenas voluntários poderiam seguir para a guerra Desses voluntários, os solteiros iriam para a Europa e os casados iriam para o Estados Unidos. Desse recrutamento, resultou 13 voluntários.
Em janeiro de 1918, os voluntários, comandados pelo Capitão Tenente Manoel Vasconcellos foram enviados para uma escola de caças em Eastbourne, na Inglaterra e, durantes os três meses de treinamento, houve dois acidentes. O Segundo Tenente Olavo Araújo foi repatriado, devido ao acidente e o também Segundo Tenente Eugênio Possolo faleceu devido aos ferimentos, sendo a primeira vítima da aviação naval brasileira.
Aviadores voluntários em instrução na Europa

A missão médica partiu para a França em 16 de agosto de 1918 a fim de fundar um hospital em Paris, colaborando com a causa brasileira da I Guerra. A expedição foi chefiada por Nabuco de Gouveia e foi composta por 10 diretores de serviço, 20 chefes de enfermaria, 29 médicos, 8 auxiliares e 15 doutorandos.

Incorporadas a uma delegação do corpo de saúde, farmacêuticos, intendência e secretaria contaram com cinco representantes e seguiu um contingente de 31 soldados. No dia 24 de setembro de 1918, a missão médica chegou em Marselha e a montagem do Hospital Brasileiro foi efetuada com o remodelamento de um antigo prédio pertencente à um convento de Jesuítas, que existia na Rue Vaugirard, sendo que sua instalação se deu em um mês e meio de trabalho.

Eduardo Borges da Costa, chefe da missão, à esquerda do governador Delfim Moreira (de terno). Atrás, José Camilo de Castro Silva e, à direita, Luiz Adelmo Lod

O hospital alí estabelecido, foi classificado como de primeira classe, em condições de receber feridos e ficou nivelado com o Hospital Americano de Neuilly, fundado em 1906. Com o fim da Guerra, a missão médica foi extinta em fevereiro de 1919.

Com o fim da Guerra, o hospital constituído foi doado para a França e, até os dias de hoje pode ser visto em Paris, onde funciona o Hospital Vaugirard. Também, no hospital, pode ser visto uma plca de bronze com o nome "Hôpital Brésilien".

Com relação à participação da Marinha na I Guerra Mundial, o Brasil enviou missões navais, sob ordens britânicas para patrulhar a costa ocidental africana e, foi em uma dessas missões que houve a famosa "Batalha das Toninhas", em novembro de 1918, quando, em vias da assinatura de cessar fogo, o cruzador "Bahia" foi alertado de uma possível presença dos U-Boats alemães próximos à Gilbratar. Em uma noite, os vigias do "Bahia" teriam avistado um periscópio na água e, julgando ser um ataque alemão, abriram fogo na água às cegas, para tentar defender do suposto ataque. Mas, o que foi confundido com um periscópio do submarino alemão, era nada menos que um cardume de toninhas.


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Monumento da Primeira Guerra- Praça Mauá- RJ
Por Juliana Hembecker Hubert





