Batalha de Bardia: O Triunfo Australiano no Deserto Líbio

Batalha de Bardia: O Triunfo Australiano no Deserto Líbio

14/09/2026 10:00

 

A Batalha de Bardia, disputada entre 3 e 5 de janeiro de 1941 na Líbia, representou a primeira grande vitória dos Aliados na Campanha do Deserto Ocidental, com tropas australianas sob comando britânico derrotando uma guarnição italiana muito superior em número. Esse confronto, parte da Operação Compasso, capturou cerca de 36.000 a 40.000 prisioneiros italianos e abriu caminho para avanços profundos na Cirenaica, demonstrando a superioridade tática das forças da Commonwealth.

Contexto da Ofensiva Inicial

Após a invasão italiana do Egito em setembro de 1940, liderada pelo marechal Rodolfo Graziani, as forças do Décimo Exército italiano ocuparam Sidi Barrani, mas sofreram reveses com o contra-ataque britânico em dezembro. O general Richard O'Connor, à frente da Western Desert Force, expulsou os italianos da Egito e isolou Bardia, porto fortificado na fronteira líbia com defesas extensas de trincheiras, arame farpado e 45.000 defensores sob o general Annibale Bergonzoli. Bergonzoli, conhecido como "Barba Elétrica", declarou a Mussolini: "Em Bardia estamos e aqui ficaremos", prometendo resistência feroz.

O Início do Ataque em 3 de Janeiro

Na madrugada de 3 de janeiro, após bombardeio naval e aéreo que destruiu defesas externas, a 7ª Divisão Blindada britânica cortou rotas de suprimento, enquanto a 6ª Divisão Australiana, comandada pelo major-general Iven Mackay, preparou o assalto principal. Às 5h40, 22 tanques Matilda II da 7ª Companhia Real de Tanques Australianos romperam as linhas italianas no setor oeste, apoiados por sapadores com torpedos Bangalore para explodir arame farpado; o 2/1º Batalhão de Infantaria Australiano avançou, capturando postos como o 20 e 23 apesar de fogo de artilharia. Pelas 11h, vários postos caíram, com centenas de prisioneiros, embora os tanques sofressem perdas por falhas mecânicas e fogo antitanque.

Avanço e Colapso Italiano nos Dias Seguintes

Em 4 de janeiro, a 16ª e 19ª Brigadas Australianas expandiram a brecha, reduzindo bolsões no sul e norte da fortaleza; a Companhia A do 2/7º Batalhão capturou "O Triângulo" e oito canhões de campanha. Italianos contra-atacaram fracamente, mas o apoio de artilharia e metralhadoras aliadas manteve o ímpeto; o general O'Connor observou: "Os australianos lutaram como leões". No dia 5, a resistência desmoronou: a 17ª Brigada Australiana limpou o setor sul, enquanto a 16ª forçou rendições no norte, totalizando 36.000 prisioneiros, 130 tanques e 700 peças de artilharia capturadas.

Legado e Consequências Imediatas

A vitória em Bardia elevou o moral aliado e permitiu a captura de Tobruk dias depois, varrendo quase toda a Cirenaica italiana até fevereiro, quando Rommel interveio. Winston Churchill elogiou: "Os australianos conquistaram Bardia com bravura inigualável", destacando o papel pivotal na guerra no deserto. Essa batalha exemplificou táticas de infantaria combinada com blindados, influenciando operações futuras no Norte da África.