Batalha pelo nordeste polonês: Łomża resiste
29/01/2026 10:00
Enquanto Heinz Guderian acelerava suas divisões Panzer rumo ao coração da Polônia, a cidade de Łomża, no nordeste do país, tornou-se obstáculo inesperado ao avanço alemão. Entre 7 e 10 de setembro de 1939, forças polonesas travaram combate feroz contra a superioridade numérica e tecnológica inimiga, numa batalha que atrasou crucialmente o plano de cerco do XIX Exército Panzer.
Portão para Białystok e além
Łomża ocupava posição vital na rede viária que ligava a Prússia Oriental ao interior polonês. Controlar a cidade significava para os alemães abrir caminho seguro para Białystok e, posteriormente, completar o movimento de tenazaflexo que esmagaria o Exército Polonês de Poznań entre o Vístula e o Narew. A defesa polonesa, liderada por elementos da Independência Operational Group (Narew Covering Force), sabia tratar-se de missão suicida mas essencial.
Desde 7 de setembro, as primeiras unidades alemãs vanguarda da 10.ª e 20.ª Divisões Panzer encontraram posições preparadas: bunkers às margens do Narew, campos minados nas estradas de acesso, barricadas urbanas e canhões antitanque camuflados em prédios industriais. A ordem era clara: custasse o que custasse, impedir travessia até 10 de setembro.
Quatro dias de inferno organizado
O combate iniciou com assaltos alemães coordenados: Panzer II e III testando os campos minados, seguidos por infantaria motorizada sob cobertura de Stukas. Os poloneses responderam com precisão mortal canhões wz.36 de 37mm perfurando tanques pela lateral, metralhadoras Hotchkiss cortando as ondas de infantaria, artilharia de 75mm martelando as concentrações alemãs nas estradas de acesso.
Durante 7-8 de setembro, Łomża tornou-se matadouro de blindados. Relatos alemães mencionam 20-30 tanques destruídos apenas no primeiro dia, forçando Guderian a pessoalmente supervisionar os assaltos subsequentes. A Luftwaffe intensificou bombardeios, mas a névoa e a fumaça das construções incendiadas protegiam parcialmente os defensores.
O preço da resistência calculada
Para 10 de setembro, com munição crítica e comunicação perdida com o alto comando, os poloneses receberam ordem de recuo. A retirada foi executada em fases: destacamentos de retaguarda mantiveram posições falsas enquanto o núcleo principal escapava para o sul, rumo às linhas de Varsóvia. Dos 4-5 mil defensores originais, apenas 1.500 reorganizaram-se; o resto ficou no campo de batalha ou em cativeiro.
O custo alemão foi elevado: cerca de 800 mortos, 2.000 feridos, 50 tanques irrecuperáveis. Mais importante, Łomża ganhou quatro dias preciosos tempo suficiente para que o Exército Poznań executasse manobra parcial de recuo, evitando aniquilação total no bolsão planejado por Guderian.
Lição tática para a Blitzkrieg
Łomża expôs vulnerabilidades da guerra blindada: cidades médias com defesas preparadas neutralizavam a superioridade Panzer quando apoiadas por antitanque organizado e terreno favorável. Guderian registrou lições amargas sobre necessidade de engenheiros antes de assaltos urbanos e coordenação mais estreita entre Luftwaffe e Panzers.
Para memória polonesa, a Batalha de Łomża permanece como protótipo da "defesa móvel ativa" resistir o suficiente para desorganizar o inimigo, então recuar preservando forças. Quatro dias de inferno em ruas estreitas e margens do Narew mostraram que, mesmo fadada à derrota estratégica, a Polônia de 1939 sabia infligir feridas que sangrariam a Blitzkrieg por toda a campanha.
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Murilo Hubert Schenfeld
Jornalista – Registro nº 0012468/PR





