Batalhão Maori nas Guerras Mundiais

Batalhão Maori nas Guerras Mundiais

10/09/2018 10:00

O Batalhão Pioneiro da Nova Zelândia (Maori) foi um batalhão da Força Expedicionária da Nova Zelândia que serviu durante a Primeira Guerra.

O Batalhão foi criado e serviu em Gallipoli e na Frente Ocidental. Até o final da Guerra, 2227 Maori e 458 ilhas do Pacífico tinham servido no que ficou conhecido como o Batalhão Pioneiro Maori. Destes, 336 morreram em serviço ativo e 734 ficaram feridos. Outros Maori também se alistaram em outros Batalhões. 

Quando a Primeira Guerra eclodiu, os líderes Maori se manifestaram de várias maneiras. Rua Kenana Hepetipa foi totalmente oposto ao alistamento Maori. Já Apirana Ngata, Paraire Tomoana e Maui Pomare, foram a favor do alistamento e de campanhas organizadas de recrutamento, principalmente nas regiões de Waikato e na região de Ngati Porou. A campanha em Ngati Porou foi particularmente bem sucedida, pois recrutou homens o suficiente para formar sua própria companhia. 

Em 1916, o batalhão necessitava desesperadamente de mais reforços. Então, como parte para recrutar mais soldados, a música Te Ope Tuatahi foi composta por Apirana Ngata. Ngata (1928- 1934) foi um proeminente político e advogado neozelandês. Ele tem sido frequentemente descrito como principal político Maori que já serviu o Parlamento, sendo também conhecido por seu trabalho na promoção da cultura e da língua Maori. 

Essa música tornou-se famosa e foi adotada como o hino do batalhão Maori. 

 

Ngata's 1916 (Maori) 

      

Te ope tuatahi 

No Aotearoa 

No Te Waipounamu 

No nga tai e wha 

 

Ko koutou ena 

E nga rau e rima 

Te Hokowhitu toa 

A Tumatauenga 

 

I hinga ka Ihipa 

Ki Karipori ra ia 

E ngau nei te aroha 

Me te mamae 

 

Te ope tuarua 

No Mahaki rawa 

Na Hauiti koe 

Na Porourangi 

 

I haere ai Henare 

Me to wiwi 

I patu ki te pakanga 

Ki Paranihi ra ia 

 

Ko wai he morehu 

Hei kawe korero 

Ki te iwi nui e 

E taukuri nei? 

 

Ngata's 1916 verses (English)

 

The first contingent was 

from throughout New Zealand, 

including the South Island; 

they were from the four tides. 

 

You there 

the five hundred 

the brave Battalion 

of angry-eyed Tu. 

 

Some of you have fallen in Egypt, 

some in Gallipoli. 

Love gnaws within us 

and pain also. 

 

The second echelon was 

from around Gisborne, 

from Tolaga Bay, 

from the East Coast. 

 

Farewell, O Henare, 

and your 'clump of rushes' 

who fell while fighting 

in France. 

 

Who will survive there 

to bring the story back 

to all the people 

in sorrow bowed? 

 

Em 1917, novamente precisando de reforços, Paraire Tomoana compôs um verso adicional à canção, encorajando especificamente o alistamento em Ngati Kahungunu e outras regiões orientais da Ilha do Norte.

 

The ninth contingent 

is from near Rotorua, 

from near Gisborne, 

and from Hawke's Bay. 

 

And now I am going 

to the conflict of the Frenchmen 

and there will I weep.

 

I salute you as I disappear 

out of sight of the land. 

Goodbye 

my own true love. 

 

Após o alistamento, os recrutas foram organizados e realizaram o treino básico no campo de Narrow Neck, em Auckland.

O Primeiro Batalhão partiu da Nova Zelândia em fevereiro de 1915 a bordo do SS Warrimoo, chegando em março para o Egito. Porém, destinado a ser uma força de guarnição em apoio às tropas de combate de Pakeha. O Batalhão não foi implantado em Gallipoli. Em vez disso, ficaram na reserva e colocados em serviço na Ilha de Malta, onde a formação contínua foi realizada. 

Soldados contingentes Maori em Gallipoli - 1915

 

Porém, muitos soldados Maori estavam em Gallipoli desde o início, pois se ofereceram como voluntários para os Batalhões de Infantaria provinciais. Um desses soldados foi Watene Moeke, que serviu no Regimento de Auckland como William Moeki. Moeki foi o primeiro soldado Maori a morrer na guerra em 25 de abril de 1915. 

No entanto, o aumento das baixas entre as forças Anzac em Gallipoli levou ao desdobramento do 161 Batalhão de homens. O Batalhão chegou a Anzac Cove em 3 de julho de 1915. Ali se juntaram aos New Zeland Mounted Rifles e foram enviados como soldados de infantaria. Em 1917, o Batalhão foi renomeado Batalhão Maori. Gallipoli ajudou a forjar a identidade inicial dos Maoris, garantindo a reputação como combatentes ferozes e leais. 

Depois de Gallipoli, houveram críticas à três oficiais dos Pioneiros Maori, que foram acusados de deserção. Godley, major general, os mandou para casa e acabou com a força Maori quando foi enviada para França. 

Na França, as tropas Maori foram intercaladas com tropas do Regimento de Rifles em Otago, que foram adaptadas ao papel de pioneiros, depois das baixas em Gallipoli. Dessa forma, pretendia-se que o Batalhão Maori fosse desmantelado, servindo de reforços para outras unidades. No entanto, após um curto período, a unidade foi reagrupada e serviu o resto da guerra cavando trincheiras e drenos, fazendo trabalho agrícola, erguendo cabos de arame, enterrando cabos de artilharia e construindo um cinema chamado Kapai Theatre. 

 

Durante os meses de inverno de 1916, os Maori estavam bem atrás das linhas de frente, em locais confortáveis, onde podiam usar hotéis e se socializar com civis franceses. Muitas vezes, durante esses momentos, os Maori jogavam rugby contra outras equipes militares. 

 

Em cartas enviadas para suas casas, os soldados Maori elogiavam a cerveja francesa e a champanhe. Os soldados também tiveram tempo de observar os agricultores franceses e os soldados Maori com formação agrícola, fizeram comentários acerva dos métodos franceses, que eram retrógrados.

Embora a licença era rara aos Maori, a maioria dos soldados tiveram chances de visitar a Inglaterra e a Escócia para conhecer a paisagem. Os diários de guerra do Batalhão dizem que as baixas estavam bem abaixo da taxa da Divisão de Infantaria da Nova Zelândia, mas tal fato se deve porque os serviços estavam sendo realizados atrás das linhas de frente. 

Em pelo menos uma ocasião, o Batalhão foi usado para lançar ataques furtivos às trincheiras alemãs, armados de baionetas e patu. Patu é um termo genérico para um pounder, usado pelos Maori. A palavra "patu" significa atacar, bater. 

 

Mete Kingi Te Rangi Partahi - 1869 - segurando um Patu

 

No final de agosto de 1916, o Batalhão estava em Somme e começou a trabalhar em uma trilha de comunicação de 8 quilômetros, conhecida como "Turk Lane".

Em Messines Ridge, o Batalhão sofreu 155 baixas, incluindo 17 mortes. Em dezembro de 1916, 43 soldados Maori se juntaram à Companhia de Tunelamento da Nova Zelândia, no período que antecedeu a Batalha de Arras.

Em 1917, os remanescentes do Regimento de Otago, que constituíam 50% da força restante do Batalhão, foram submetidos pelos reforços recém chegados. Nessa mesma época, um contingente de 150 nativos de Niue foram enviados para casa depois de não se adaptar às condições da Europa Ocidental.Os últimos reforços eram compostos pelos nativos das Ilhas Cook e a maioria foi enviada para se juntar à Companhia Rarotongan, na Campanha da Palestina. 

Em 30 de junho de 1918, quando a foto abaixo foi tirada, o Batalhão Maori executou o Haka para o Primeiro Ministro William Massey e Joseph Ward, líder do Partido Liberal e Vice-Primeiro Ministro. Veja o vídeo do Haka:

https://www.facebook.com/commonwealthforces/videos/1108518652563199/?v=1108518652563199

No final da guerra, o Batalhão estava envolvido em um incidente, quando um grupo de soldados Maori, possivelmente sofrendo de fadiga de batalha, começou a atirar em um campo de descanso. Quando um oficial foi investigar, ele foi baleado. 

Após a guera, o Batalhão Maori foi o único a voltar para casa com um corpo formado e percorreu todo o país. Desde o final da guerra, muitas comunidades Maori construíram memoriais para o Batalhão.

Na Segunda Guerra Mundial, os Maoris também deram sua contribuição, sendo que, quase 16 mil Maori se alistaram para o serviço. O 28º Batalhão Maori tornou-se uma das unidades mais célebres e condecoradas das forças da Nova Zelândia. O auge de sua conquista foi a Victoria Cross, vencida por Te Moananui-a-Kiwa Ngarimu em 1943. 

O Batalhão Maori foi dividido em cinco Companhias: Quatro Companhias de Fuzis,com cerca de 125 soldados cada uma em um Quartel General com cerca de 200 homens. As quatro Companhias foram organizadas segundo linhas tribais. O Corpo principal do Batalhão Maori deixou a Nova Zelândia como parte do Segundo Escalão da 2NZEF em maio de 1940. 

28º Batalhão esperando para subir nas linhas de frente em Gambettola, Itália 
 
 
No total, quase 3600 homens serviram com o Batalhão Maori entre 1940-45. Desdes, 649 foram mortos, 1712 ficaram feridos e 237 foram prisioneiros de guerra. Nas palavras do Tenente General Bernard Freybert: "Nenhum Batalhão de Infantaria tinha um registro mais destacado ou viu mais combates, ou teve baixas tão pesadas quanto o Batalhão Maori".
 

Membros de Ngati Tuwharetoa realizando haka no recebimento do Batalhão Maori após a Segunda Guerra - jan 1946

 
Esse sacrifício não passou despercebido. A unidade estava entre as mais bem condecoradas pela bravura individual de todas as Forças da Nova Zelândia e seu povo os recebeu do volta para casa com honrarias, mantendo seu legado com memoriais.  

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Por Juliana Hembecker Hubert