Blood Chit

Blood Chit

19/03/2020 10:00

Blood Chit nada mais é que uma pequena folha com a bandeira americada com inscrições em vários idiomas. Esse tipo de comunicação é pouco conhecida, mas ajudou os soldados perdidos a encontrarem seus caminhos.

A palavra chit é um termo britânico usado para pequeno documento ou nota, sendo uma palavra anglo-indiana que data do final do século XVIII e derivada do chitti hindi.

A primeira vez que o Blood Chit apareceu foi em 1793, quando o balonista francês Jean-Pierre Blanchard fez uma demonstração do balão de ar quente nos Estados Unidos. Porém, como ninguém sabia onde ele iria pousar e como Blanchard não falava inglês, foi dado uma carta à ele em inglês, dizendo que todos os cidadãos americanos eram obrigados a ajudá-lo a voltar para Filadélfia. 

Siga-nos no Facebook 

Essa ideia ficou inativa por mais de 100 anos. Mas, na Primeira Guerra Mundial, a Royal Flying Corps emitiu "notas de resgate" para seus pilotos que voavam na Índia e na Mesopotâmia. Essa nota foi emitida em quatro idiomas e prometia uma recompensa para quem encaminhasse um aviador britânico ileso de volta às linhas britânicas.

Na Segunda Guerra Sino-Japonesa antes da Segunda Guerra Mundial, os pilotos voluntários estrangeiros do Flying Tigers levaram avisos impressos em chinês que informavam aos habitantes locais que esse piloto estrangeiro estava lutando pela China e que eram obrigados a ajudá-los.

Um exemplo de Blood Chit:

Eu sou um aviador americano. Meu avião está destruído. Não sei falar seu idioma. Eu sou um inimigo dos japoneses. Por favor, me dê comida e me leve ao posto militar aliado mais próximo. Você será recompensado.

Quando os Estados Unidos entraram na guerra em 1941, foram emitidas Blood Chit em quase 50 idiomas diferentes. E, uma recompensa foi oferecida àqueles que ajudaram os pilotos caídos.

Curta nosso Instagram     

Eram montados Kits de sobrevivência  da tripulação de vôo que incluíam os Blood Chit, pequenas bolsas contendo dinheiro em papel e moedas, glossários, cartas e notas promissórias que seriam preenchidas pelo aviador que foi salvo, com seu posto, número de série e descrição da assistência que ele recebeu. 

Nas áreas onde o dinheiro não era usado, foram fornecidos kits de troca que continham pequenos objetos como botões de pérola, lâminas de barbear, tabaco de torção, alfinetes de segurança e bijuterias de plástico. Os certificados de moeda de emergência, chamados de "moeda de guerrilha", prometendo pagamento quando a guerra terminou.

A maior recompensa já dada foi para a família que ajudou uma tripulação do B-29 abatida em 12 de julho de 1950, duas semanas após o início da Guerra da Coréia. Os tripulantes, gravemente feridos, foram encontrados por civis norte-coreanos. Yu Ho Chun encontrou o blood chit no bolso de um soldado. Ele deu assistência médica aos americanos. Então, sob grande risco pessoal, ele e os tripulantes navegaram 160 quilômetros ao longo da costa em segurança. Duas semanas depois, o exército norte-coreano encontrou Chun, o torturou e depois o matou. Mas, 43 anos depois, em 1993, os Estados Unidos pagaram US $ 100.000,00 a seu filho, Yu Song Dan.

Durante a guerra no Vietnã, as equipes de caça, ataque e helicóptero carregavam novos blood chit. Esses chits exibiam a bandeira americana, além de um apelo em 14 idiomas: inglês, birmanês, tailandês, chinês antigo, novo chinês, laosiano, cambojano, tagalo, vietnamita, visayan, malaio, francês, indonésio e holandês. A redação em cada idioma era a mesma:

"Eu sou um cidadão dos Estados Unidos da América. Eu não falo a sua lingua. O infortúnio me obriga a procurar sua ajuda na obtenção de comida, abrigo e proteção. Por favor, leve-me a alguém que providencie minha segurança e garanta que eu retorne ao meu povo. Meu governo te recompensará".

Se inscreva no nosso canal no Youtube!!

Também temos dois grupos de discussão sobre as Guerras no Facebook. Se você tem algum post, foto, vídeo, curiosidades sobre as Guerras, não deixe de compartilhar conosco!! Grupo Guerras e Grupo II Guerra.

Fonte: militaryfactory, airforcemag, amcmuseum, atwar, usmcpress

 

 

Por Juliana Hembecker Hubert