Como a Guerra chegou em Viena

Como a Guerra chegou em Viena

02/08/2018 10:00

Existem muitos textos sobre de como é a guerra no front, como é a vida dos soldados, as histórias de batalhas. Mas, você já parou para pensar como a guerra influencia na vida das pessoas que estão longe do front? Como muda a rotina de uma cidade inteira?

A Guerra chegou em Viena através das listas de mortos e desparecidos publicadas nos jornais e com a chegada dos cem mil feridos e refugiados, mas isso não afetou diretamente a cidade.

Na memória dos avós e bisavós, a Primeira Guerra Mundial estava associada à fome, ao frio, as dificuldades, com o cartão do pão e da batata, a tuberculose e a gripe espanhola, juntamente com uma taxa de mortalidade aumentada. 

A agonia das lutas diárias de sobrevivência criaram um clima de alvoroço e um trauma que não foi esquecido tão facilmente. A devastação física e psicológica da Primeira Guerra deixou Viena com uma identidade política frágil. Ainda em 1916, os colunistas exaltavam o novo slogan "Durchhalten!" (Persevere!), mas a maioria da população já estava desnutrida há muito tempo; as roupas e ternos já não eram mais adequados; a remoção do lixo e da neve não funcionavam mais e o tráfego de bondes tornou-se um tormento.

A população de Viena sentiu-se trancada, esquecida pelo governo e pela administração. O clima era grosseiro e agressivo, a urbanidade morreu. Carros haviam desaparecido das ruas, o vazio dominava as vitrines das lojas, muitas mercadorias não existiam mais e havia vários restaurantes com as portas trancadas e com avisos como: "Bis Kriegsende geschlossen" (Fechado até o fim da guerra). Construções foram interrompidas e não houve qualquer tipo de reforma por quatro ano e meio. A construção do metrô ficou paralisada na fase de planejamento com o início da guerra. 

Cartão para farinha

 

Uma das peculiaridades da guerra é que Viena, em toda sua história, atingiu um pico populacional em uma época em que cem mil vienenses estavam longe de sua cidade natal. Os hotéis e pousadas estavam superlotados e a chance de alugar um apartamento ou encontrar alguma cama era praticamente nula. 

Viena tornou-se uma cidade para soldados e também foi transformada em um hospital militar. Somente em março de 1915, cerca de 260 mil soldados feridos estavam nos hospitais vienenses e, para atender essa demanda, escolas, universidades e até o parlamento foram usados como hospitais auxiliares.  

Escola ambulante para os inválidos de Guerra - Hospital Ottakring 1915
 
E, para preservar a memória, foi criada uma coleção de guerra, onde foram coletados vários objetos como memórias de guerra, cartões postais, medalhas, selos, os cartões de pão, café ou batata e um abrangente recorte de jornais com 604 volumes, com 116 mil recortes de jornais, contendo reportagensposterslivros e livros de culinária. (para visualizar o conteúdo, basta clicar em cima)
 
Exposição de Guerra - Cartaz de 1916

Veja mais: 

 

Exposição do comitê de auxílio aéreo - 1916

 

 Legião Auxiliar Acadêmica - 1914

"Chame! Uma nova luta foi imposta à Áustria!

 

Cartaz para os habitantes doarem roupas,

cigarros para os soldados  - 1915

 

Cruz Vermelha pede doações
 
 
 

Os heróis de Pasubio - uma folha comemorativa sobre heróicas

batalhas do Kaiser contra os ataques do Welschen no Pasubio - outubro 1916

 
 

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 Por Juliana Hembecker Hubert