Como surgiu o Símbolo da Cobra Fumando

Como surgiu o Símbolo da Cobra Fumando

05/10/2020 10:00

A expressão tão conhecida "A Cobra vai Fumar" é um ditado relacionado com algo difícil de se realizar. O ditado surgiu no inicio da Segunda Guerra Mundial, como uma provocação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) aos mais pessimistas que diziam "é mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na Guerra".

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Essa expressão acabou de tornando o símbolo da FEB, e vamos contar como surgiu o desenho da cobra como conhecemos hoje.

O Gen. Mascarenhas deu a missão de criar o emblema ao Tenente Coronel Senna Campos, do Estado Maior da Divisão. Eis o seu relato:

 

O DISTINTTIVO DA FEB

"Estava eu como Oficial de Ligação no Quartel General do 5º Exército, acampado em Florença, quando o então General Eurico Gaspar Durta, Ministro da Guerra, foi à Itália visitar as tropas brasileiras já empenhadas no Vale Serchio e esperar os 2º e 3º Escalões que desembarcaram em Livorno a 11 de outubro de 1944.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O General Mark Clark, Comandante do 5º Exército Americano, homenageou o visitante com coquetel no "Mess" do seu Quartel General".

Nessa oportunidade, o General Clark disse ao então General Mascarenhas de Morais que a Divisão Brasileira era a única Grande Unidade do seu Exército que não tinha um distintivo, pois seus homens ostentavam no braço esquerdo um escudo com o nome "Brasil".

Sabedor da lenda da "Cobra Fumando", achou interessante o motivo para um distintivo que caracterizasse a tropa brasileira.

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Fui chamado pelo General Mascarenhas que mandou que apresentasse um projeto com o motivo sugerido.

Em minha barraca rascunhei, em um triângulo, uma cobra com duas voltas em cor verde, sobre um fundo amarelo, tendo na parte superior do retângulo uma faixa azul com a inscrição 'Brasil' em letras brancas.

Desenhei um cigaro na boca da cobra.

Estavam assim representadas as cores da nossa Bandeira.

Mas esse conjunto, para sobressair, precisava de um debrum que contornasse o retângulo. Escolhi a cor vermelha de minha preferência e assim, estava pronto o projeto que me coube apresentar.

Quando da visita dos Generais Clark e Cristemberger ao nosso QG estacionado na Tenuta S. Rossore, próximo a Pisa, tive ocasião de apresentar o projeto aos Generais Dutra e Mascarenhas.

Diante de ponderações de vários camaradas o cigarro foi substituido por um cachimbo em vermelho, porque argumentavam ser o cachimbo representativo de maior agressividade na lenda criada.

Mas as duas voltas da cobra representavam dificuldades para as bordadeiras a quem foram feitas encomendas individuais.

Ficou a cobra com cachimbo e com uma única volta.

Apresentado o distintivo já agora definitivo ao Comando Americano, este foi apreciado, pois tinha reunido as cores brasileiras e americanas.

Confesso, entretanto, que não me passou pela idéia semelhante coincidência.

Aprovado pela tropa, tornou-se difícil a sua confecção em quantidade bastante para um efetivo de mais de 25.000 homens.

Foi pedido ao Brasil que chegasse aos nossos combatentes aquela significativa caracterização da FEB nos campos da Itália, colocando a nossa tropa em pé de igualdade com as demais forças aliadas, mas nenhuma providência foi tomada.

As encomendas individuais foram pedidas a Roma e Florença, geralmente para oficiais.

No fim da guerra descobriu-se em Milão, uma estamparia capaz de confeccionar em metal o tão almejado distintivo.

Quando do embarque dos diversos Escalões, a 4º Seção estregava ao Comandante da tropa embarcada um exemplar para cada homem, afim deque não ficasse na Itália a "Cobra Fumando" como suvenir.

Dessa forma, o distintivo foi ostentado na chegada do Brasil pelos vitoriosos da Campanha da Itália".

Fonte: Acervo Museu do Expedicionário Curitiba-PR

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Por Juliana Hembecker Hubert