Conheça dos Verdadeiros Bastardos Inglórios
16/08/2021 10:00
A grande maioria já assistiu o famoso filme do Tarantino de 2009, Bastardos Inglórios. Mas, será que eles realmente existiram? Durante a II Guerra Mundial haviam grupos de comandos que atuaram contra os alemães. As suas histórias não são tão grandiosas como o filme de Tarantino, mas mostram uma realidade tão boa quanto o filme.
A X Troop ou Tropa X, eram os verdadeiros Bastardos Inglórios, e consistia em uma unidade de comando secreta de jovens refugiados que foram treinados em contra espionagem e combate avançado para atacar os alemães.
Essa unidade secreta lutou pelos britânicos na linha de frente de todas as principais batalhas da II Guerra. Quando a guerra iniciou, esses jovens refugiados foram presos como "estrangeiros inimigos". Em 1942, Churchill acabou criando a unidade X Troop, uma unidade ultrasecreta, na qual todos os homens tinham que assumir nomes britânicos falsos.


Os homens da X Troop foram usados como comandos e na contra-espionagem, interrogando o inimigo no campo de batalha. Um dos comandos, surpreendentemente, até resgatou seus próprios pais do campo de concentração de Theresienstadt.
A X Troop estava sob o comando doCapitão Bryan Hilton-Jones. Ao longo da guerra, havia apenas 88 membros da X Troop, e eles nunca lutaram como uma única unidade.
Os comandos se dividiriam em várias missões atrás das linhas inimigas e frequentemente lutavam sozinhos e à noite, ficando atrás das linhas inimigas para conduzir missões de sabotagem ou reconhecimento. Eles também eram conhecidos por suas habilidades de interrogatório e seu conhecimento de treinamento e armamento alemão, adquirido em anos passados na Alemanha e na Áustria.
A X Troop foi mantida em segredo do resto do esforço de guerra Aliado devido ao seu treinamento especial. Embora tivessem as habilidades normais esperadas de comandos, os membros também foram treinados para ataques para ficar atrás das linhas inimigas e conduzir operações que nenhuma outra equipe de comando poderia.
Seu trabalho era extremamente perigoso, pois eram traidores do esforço de guerra alemão e qualquer comando capturado enfrentaria inevitavelmente a sentença de morte e arriscaria a vida de sua família extensa na Europa ocupada pelos alemães. Ainda assim, a X Troop sabia que precisava lutar.
Neste ano de 2021, Leah Garrett escreveu uma história da X Troop no livro intitulado "X-Troop: Os Comandos Judaicos Secretos da Segunda Guerra Mundial". Leah encontrou um relatório secreto sobre a participação do X Troop na desastrosa e malsucedida invasão Dieppe de 19 de agosto de 1942. Cinco membros do X Troop participaram, ordenados a capturar uma máquina de código Enigma e documentos relacionados. Foi sugerido que toda a grande operação militar foi encoberta com o objetivo de obter materiais da Enigma.
Max Dickson, um veterano das missões de reconhecimento na França, nasceu como Max Dobriner em 1926 em uma cidade mercantil no leste da Alemanha. Aos 13 anos ele chegou à Inglaterra com outras crianças como parte do Kindertransport, tendo sido separado de sua família. Ele nunca mais viu seus pais, os quais morreram no gueto de Varsóvia.
Colin Anson, nascido como Claus Ascher em Berlim em 1922, foi motivado a ingressar no Exército Britânico como um refugiado adolescente pelo desejo de destruir o regime responsável pela morte de seu pai em um campo de concentração em 1937. Ele lutou no Comandos na invasão da Sicília em 1943, onde teve a sorte de sobreviver a um grave ferimento na cabeça causado por estilhaços.
Outro comando foi Peter Masters, que participou da invasão do Dia D e mais escreveu um livro sobre suas experiências na guerra. Quando uma parte da X Troop pousou nas praias, eles estavam armados apenas com algumas armas e bicicletas dobráveis. Assim que a praia estava segura, o grupo de Masters andou de bicicleta na frente de uma unidade de soldados ingleses para obter informações sobre a localização das tropas alemãs.
Quando eles se aproximaram de uma aldeia alemã, o capitão das tropas regulares inglesas decidiu usar os comandos da X Troop para atrair o fogo dos soldados alemães. Os alemães morderam a isca e atiraram nos comandos de bicicletas, e um deles foi atingido e morto.
Porém, os britânicos não foram os únicos que usaram comandos durante a Segunda Guerra Mundial. Embora os Estados Unidos não tivessem seu próprio grupo especial, o Escritório de Serviços Estratégicos (OSS) tinha muitos agentes que usaram para se infiltrar nas linhas alemãs. O OSS estava sempre à procura de pessoas que falassem alemão e tivessem conhecimento da Europa Continental. Três desses operativos fluentes em alemão participaram da Operação Greenup, os Bastardos Inglórios da vida real dos Estados Unidos.
A operação foi uma missão de reconhecimento conduzida por três homens. O líder era Frederick Mayer, filho de um soldado alemão da Primeira Guerra Mundial que emigrou para os Estados Unidos após a guerra. Junto com ele estava Hans Wijnberg, um holandês que se mudou para a América em 1938. Eles também pediram a ajuda de Franz Weber, um desertor alemão. Os três saltaram de pára-quedas perto de Innsbruck de um B-24 modificado, em fevereiro de 1945, com o objetivo de descobrir informações sobre os movimentos das tropas alemãs.
Mayer roubou um uniforme do exército alemão e começou a misturá-lo com os moradores locais. Com suas habilidades na língua alemã, Mayer frequentava os bares da cidade e conversava com soldados. Ele acabou aprendendo sobre os movimentos das tropas alemãs, a produção de aeronaves e a localização do esconderijo secreto de Hitler.
Contudo, os comandantes da Operação Greenup ordenaram que Mayer fosse buscar informações sobre uma instalação próxima que produzia caças a jato Me-262. Mayer conseguiu trabalho como eletricista na instalação e logo soube que nenhum caça estava sendo produzido devido a problemas de abastecimento. No entanto, as autoridades locais descobriram que Mayer era na verdade um espião e o capturaram.
Após torturá-lo Franz Hofer permitiu que Mayer enviasse mensagens ao OSS negociando a rendição de Innsbruck. Mayer voltou para casa após a Guerra e permaneceu desconhecido nos Estados Unidos. Embora o OSS tenha indicado Mayer para a Medalha de Honra, o maior prêmio militar possível nos Estados Unidos, o Exército negou a Mayer qualquer reconhecimento.
Em 2013, após o senador Jay Rockefeller lutar pelo reconhecimento dos feitos de Mayer, ele acabou sendo condecorado com 10 medalhas, incluindo a medalha do prisioneiro de guerra, a medalha da vitória da segunda guerra mundial, a medalha de pára-quedista, a medalha de boa conduta e a medalha da legião de mérito.
Em 2014, a Casa Branca realizou uma cerimônia para entregar a Medalha de Honra aos soldados da Segunda Guerra Mundial, Guerra da Coréia e Guerra do Vietnã que não receberam a medalha durante seu serviço. Embora tenha havido um impulso para finalmente conceder o prêmio a Mayer, o pedido foi mais uma vez negado.

Mayer em 26 de outubro de 2014
Fontes:warhistoryonline, listverse, independent, nationalww2museum
Por Juliana Hembecker Hubert
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