Fim da Operação Compass: A Rota Italiana na África do Norte

Fim da Operação Compass: A Rota Italiana na África do Norte

26/05/2026 10:00

 

Em 5 de julho de 1940, a Operação Compass chegava a um estágio decisivo na África do Norte, com forças britânicas e da Commonwealth expulsando os italianos do Egito e capturando dezenas de milhares de prisioneiros. Lançada em dezembro anterior como uma contraofensiva limitada, a operação transformou-se em uma vitória esmagadora, destruindo o 10º Exército italiano e reconquistando territórios perdidos. Esse sucesso precoce demonstrou a superioridade tática aliada no deserto, pavimentando o caminho para avanços na Líbia.

Início da Invasão Italiana e Preparativos Britânicos

Tudo começou em setembro de 1940, quando o marechal Rodolfo Graziani, sob ordens de Benito Mussolini, invadiu o Egito a partir da Líbia com cerca de 200 mil homens, capturando Sidi Barrani após avanços iniciais modestos. Os italianos estabeleceram acampamentos fortificados ao longo da costa, mas sofreram com suprimentos precários e moral baixa. O general Archibald Wavell, comandante-chefe no Oriente Médio, respondeu com a Western Desert Force (WDF), liderada pelo general Richard O'Connor, composta por 36 mil soldados, tanques Matilda e apoio da 7ª Divisão Blindada. Mussolini pressionou Graziani por uma ofensiva maior, declarando: "Quero uma vitória rápida na África para igualar as conquistas na Europa".

Lançamento da Operação e Primeiras Vitórias

A Operação Compass iniciou-se em 9 de dezembro de 1940, com um ataque surpresa ao acampamento italiano de Nibeiwa pela 4ª Divisão Indiana, resultando na morte do general Pietro Maletti e captura de 2 mil prisioneiros em poucas horas. Em três dias, Sidi Barrani caiu, com 38 mil italianos e líbios rendidos, 237 canhões e 73 tanques capturados – contra apenas 624 baixas aliadas. O'Connor explorou o caos inimigo, avançando pela Via della Vittoria: em 15 de dezembro, Sollum e o Passo de Halfaya foram tomados; Fort Capuzzo, na Líbia, caiu logo após. Tropas australianas da 6ª Divisão capturaram Bardia em janeiro de 1941, rendendo mais 38 mil prisioneiros.

Avanço Relâmpago até o Golfo de Sirte

O ímpeto continuou com a tomada de Tobruk em 22 de janeiro, Derna e Mechili em fevereiro, culminando na Batalha de Beda Fomm, onde australianos e britânicos cercaram o 10º Exército italiano. Em 5-7 de fevereiro, Annibale Bergonzoli escapou por pouco, mas cerca de 25 mil italianos se renderam, elevando o total de prisioneiros para 130-133 mil, além de 420 tanques e 845 canhões. Por volta de 5 de julho de 1940 – marco de consolidação após a expulsão total do Egito –, O'Connor havia avançado 800 km pelo deserto, com baixas aliadas inferiores a 2 mil mortos e feridos. A WDF pausou em El Agheila, reorganizando-se para novas ofensivas.

Impacto Estratégico e Fim da Fase Inicial

O colapso italiano forçou Mussolini a pedir reforços alemães, levando à chegada do Afrika Korps sob Erwin Rommel em fevereiro de 1941. A vitória em Compass elevou o moral britânico após Dunquerque e Mers-el-Kébir, provando que forças menores podiam derrotar exércitos maiores com mobilidade e surpresa. Wavell relatou a Londres: "Avançamos 500 milhas, destruindo 10 divisões inimigas". Esse episódio encerrou a dominação italiana no Egito, mas abriu a era das idas e vindas no deserto norte-africano.