Histórias de Guerra: Faux Paris
18/03/2019 10:00
Lendo algumas matérias para fazer os posts da Zheit, me deparei com uma informação que até então desconhecia. Você sabia que em Paris, toda a primeira quarta-feira do mês ao meio dia tem o toque de uma sirene anti aérea que pode ser ouvido por toda a cidade? Esse toque acontece desde antes da Segunda Guerra Mundial, para garantir que tudo esteja funcionando, caso de um ataque. Dá uma olhada no vídeo de 2012 e no vídeo de março de 2018.
Mas, vamos voltar um pouco no tempo: Paris, Primeira Guerra Mundial. Nessa época os ataques aéreos foram uma grande preocupação, onde mais de 5.000 bombas foram lançadas na Inglaterra, matando e ferindo milhares de pessoas e causando muitos danos. Pensando nisso, os franceses criaram a "Faux Paris" - Paris Falsa, ou seja, uma réplica de Paris e seus arredores para atrair aviões alemães.

No dia 30 de agosto de 1914, um avião alemão Taube lançou quatro bombas em Paris, sem fazer qualquer vítima, e também lançou panfletos com as cores do Império Alemão. O objetivo de tal ação era puramente psicológico e impor o medo.
Em 1915, com o avanço tecnológico, os Zeppelins que bombardeiam Paris e seus arredores. Nessa "nova era" 17 bombas foram lançadas nos bairros de Belleville e Ménilmontante, resultando em vinte e seis vítimas. E o avanço tecnológico não parava nos Zeppelins, pois a indústria alemã estava desenvolvendo os Gothas (leia mais AQUI), os quais poderiam carregar entre 600 kg e uma tonelada de bombas.
Com medo de mais ataques, entre os anos de 1917-18, as autoridades francesas construíram uma réplica de Paris em tamanho real, para enganar os bombardeiros alemães. O Faux Paris veio completo, com iluminação nas ruas, um Arco do Triunfo, Champs Elysées, Gard Du Nord e, até mesmo um trem falso que estava em movimento.
Como os bombardeiros Gothas tinham a preferência de atacar à noite, a iluminação deveria ser importante. Para tal feito, o engenheiro eletricista italiano Fernand Jacopozzi foi contratado. Mais tarde ele seria lembrado como o homem que iluminou a Torre Eiffel pela primeira vez. Nos arquivos do Le Figaro e do L'Illustration, é revelado como o uso de diferentes luzes coloridas imitavam o brilho de casas, oficinas e fábricas ao anoitecer.
Os edificios e monumentos de réplica foram construídos de madeira e pintados para imitar telhados. O trem em movimento e os carros feitos de madeira tinham luzes nas laterais, como se tivessem janelas.

Mas, como que os pilotos caíram nessa farsa? Em tempos antes da existência dos radares e sendo os Gothas bombardeiros não muito ágeis, a estratégia era mais ou menos entrar na cidade, soltar as bombas em qualquer alvo e sair rapidamente.
A localização do Faux Paris era em torno da cidade de de Maisons-Laffitte, que ficava a 24 km da famosa Catedral de Notre Dame. Essa região foi escolhida em virtude de sua semelhança com o rio Sena. Porém, apesar de terem escolhidos três regiões semelhantes para servir como chamariz, o projeto da Faux Paris não foi totalmente concluído antes do final da guerra.
Em setembro de 1918, houve o último ataque aéreo em Paris e, as cidades réplicas nunca foram atacadas. Em total sigilo, a réplica de Paris foi desmontada após o fim da Guerra e Fernand Jacopozzi recebeu o prêmio Legion d'Honneur por seu projeto de engenharia.
Nos anos seguintes, Faux Paris foi vista como um projeto inútil, mas, mesmo que os pilotos alemães tivessem total conhecimento deste projeto, sempre iria pairar a dúvida antes de lanças as bombas, se era Paris verdadeira ou a falsa. Apenas por colocar em dúvida, o projeto já pode ser considerado uma conquista significativa.

Seguindo essa ideia, na Segunda Guerra, o Reino Unido construiu os "Starfish sites", locais que serviam de iscas para os bombardeiros noturnos alemães. Também durante a guerra, em 1944, na Finlândia, a cidade de Helsínquia foi mergulhada na escuridão quando as luzes foram criadas fora da cidade, a fim de enganar a aviação Soviética.
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Por Juliana Hembecker Hubert





