Kępa Oksywska: o último reduto de Gdynia
06/02/2026 10:00
Quando Gdynia já ardia sob fogo alemão, uma estreita faixa pantanosa a nordeste da cidade continuou resistindo como enclave isolado. De 10 a 19 de setembro de 1939, 12 mil marinheiros e soldados poloneses defenderam Kępa Oksywska "Cape Ox" contra três divisões alemãs, mantendo o controle do último pedaço livre da costa báltica polonesa por mais uma semana crucial.
Pantanal armado entre mar e terra
Kępa Oksywska formava cabeço natural de defesa: pântanos profundos pelo sul e oeste, baía de Puck pelo norte, campo aberto pelo leste. A Marinha polonesa transformara a área em fortaleza costeira com baterias navais de 75mm e 105mm, trincheiras inundáveis, campos minados e posições de metralhadoras camufladas em dunas. Após queda de Gdynia (14/09), 4 mil marinheiros da frota juntaram-se a 8 mil soldados do Exército "Pomorze", sob comando do contra-almirante Józef Unrug.
Desde 10 de setembro, a 3ª Exército alemã (von Küchler) lançou assaltos coordenados: infantaria da 207ª Divisão pela terra firme, fuzileiros navais tentando desembarques anfíbios, Stukas atacando baterias costeiras. Poloneses responderam afundando dois navios alemães com artilharia naval e repelindo desembarques com metralhadoras Vickers.
Nove dias de resistência sobre os pântanos
Combate seguiu padrão brutal da campanha costeira: alemães avançando por diques estreitos sobre pântanos, recebendo fogo cruzado de dois flancos; poloneses racionando munição naval contra tanques Panzer II atolados na lama; Luftwaffe incendiando juncos secos para fumar defensores das trincheiras. Cada metro conquistado custava caro alemães perderam 6 mil homens tentando romper 3 km de frente pantanosa.
Clímax veio 15-17 de setembro, quando SS-Leibstandarte reforçou assalto pelo istmo leste. Marinheiros poloneses usaram cargas de profundidade navais como minas terrestres, destruindo 12 tanques e barricando diques. Contra-almirante Unrug recusou 3 ultimatos de rendição: "Enquanto um canhão disparar, Kępa resiste".
Fim heroico da resistência báltica
Em 19 de setembro, com munição naval exaurida e 40% de baixas, Unrug ordenou destruição de baterias e dispersão em grupos de guerrilha marítima. Sobreviventes (2 mil homens) foram capturados; resto morreu combatendo. Kępa Oksywska caiu um dia após Varsóvia pedir trégua, marcando fim efetivo da campanha no Báltico polonês.
Alemães reconheceram bravura concedendo honras militares aos prisioneiros raridade na invasão. Perdas: 8 mil poloneses (66%), 7 mil alemães, 25 tanques, 3 navios afundados. Resistência ganhou Varsóvia e Hel 5 dias extras de fôlego logístico marítimo.
Último grito da Polônia marítima
Kępa Oksywska simboliza epílogo perfeito da campanha setembrina: marinheiros lutando em terra pantanosa, usando doutrina naval contra tanques, recusando rendição até esgotamento físico absoluto. Na memória nacional, é "Segunda Westerplatte" onde Marinha polonesa, sem frota, manteve viva tradição marítima até último cartucho.
Enquanto exércitos de terra colapsavam, Kępa mostrou que espírito báltico polonês sobrevivia em bolsões improváveis. Seus pântanos silenciosos guardam segredo de como 12 mil homens prenderam três divisões inimigas por 9 dias cruciais prova final que Polônia de 1939 caiu de pé, atirando até último fôlego nacional.
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Murilo Hubert Schenfeld
Jornalista – Registro nº 0012468/PR





