O Trágico Afundamento do Lancastria: Maior Desastre Marítimo Britânico
14/05/2026 10:00
Em 17 de junho de 1940, o navio auxiliar britânico HMT Lancastria foi torpedeado e afundado por um bombardeiro alemão Junkers Ju 88 na foz do rio Loire, em Saint-Nazaire, França, resultando em cerca de 4 mil mortes entre soldados e civis evacuados. Esse desastre, o maior perda marítima da história britânica na Segunda Guerra Mundial, ocorreu no mesmo dia em que Pétain pedia armistício e foi imediatamente censurado pelo primeiro-ministro Winston Churchill para preservar o moral nacional. A tragédia ampliou o caos da evacuação francesa após Dunkirk, destacando os riscos da retirada apressada.
Contexto da Evacuação Desesperada
Após a evacuação de Dunkirk (Operação Dynamo), concluída em 4 de junho com 338 mil resgatados, os Aliados iniciaram a Operação Ariel para salvar tropas e civis do oeste da França, onde o avanço alemão acelerava rumo a Paris. Saint-Nazaire, porto estratégico na Bretanha, tornou-se ponto de embarque para milhares de soldados britânicos, técnicos de aeronaves e famílias francesas, com o Lancastria – um transatlântico Cunard convertido de 16.243 toneladas – ancorado no rio Loire para acelerar o processo. Sob comando do capitão Rudolph Sharp, o navio, projetado para 3 mil passageiros, recebeu ordens de lotar além da capacidade para fugir do cerco iminente.
O Ataque e o Caos do Afundamento
Na tarde de 17 de junho, com cerca de 5.500 a 7.000 pessoas a bordo (estimativas variam devido ao excesso), o Lancastria zarpava quando foi atingido por bombas em pontos vitais: ponte, salas de máquinas e depósitos de combustível, incendiando 2 mil toneladas de petróleo e criando um inferno flamejante. O navio listou rapidamente para bombordo, afundando em 16 minutos, enquanto sobreviventes nadavam em óleo ardente e águas infestadas de explosões secundárias. Barcos salva-vidas mal acomodavam a multidão superlotada, e muitos foram sugados pelas hélices ainda girando; relatos descrevem mães jogando filhos ao mar para salvação incerta.
A Censura de Churchill e Consequências
Churchill, temendo pânico após Dunkirk, impôs censura total: jornais britânicos silenciaram o evento, e o Parlamento só soube meses depois via relatos de sobreviventes. Dos cerca de 6 mil a bordo, apenas 1.738 foram salvos por contratorpedeiros como o Highlander, confirmando cerca de 4 mil mortos – superando o Titanic em perdas britânicas. O Rei George VI condecorou Sharp postumamente, mas o segredo durou até 1941. Mussolini, observando de Roma, via nisso fraqueza aliada no dia de sua própria declaração de guerra.
Legado da Maior Perda Oculta
O afundamento do Lancastria simbolizou os horrores não contados da Batalha da França, com corpos boiando por dias na costa francesa e relatos de valentes atos como o do vigia Harold Thomas, que salvou dezenas. Revelado décadas depois, reforça o custo humano da guerra relâmpago alemã e a estratégia de Churchill de "sangue, suor e lágrimas" sem desânimo público. Até hoje, mergulhadores respeitam o local como tumba não oficial, lembrando o sacrifício anônimo em 17 de junho de 1940.





