O Tribunal de Nuremberg
30/05/2018 10:00
O Tribunal de Nuremberg foi uma corte internacional formada para julgar o alto escalão nazista logo após o final da II Guerra, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
Os crimes cometidos pelos alemães foram ações condenáveis em qualquer sociedade, independentemente de existir uma legislação internacional a respeito.

Vista aérea do Palácio da Justiça de Nuremberg, onde o Tribunal Militar Internacional julgou 22 dos principais oficiais alemães por crimes de Guerra. Nuremberg, novembro de 1945
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial e a blitzkrieg, permitiram que o III Reich fosse integrado à milhões de pessoas que, antes, eram submetidos a Estados democráticos e, este ponto se torna importante para o Julgamento, uma vez que as responsabilidades da burocracia civil e militar nazista por seus crimes somente aumentaram a partir deste momento, tendo em vista que milhões foram submetidos aos guetos, bairros fortificados, onde eram constantemente explorados e confinados.
“Em 20 de janeiro de 1942, 15 oficiais do alto escalão do Partido Nazista e líderes do governo alemão reuniram-se para um encontro importante em uma casa de campo à beira de um lago, na área nobre de Berlim chamada Wannsee. Reinhard Heydrich, principal representante do chefe das SS, Heinrich Himmler, organizou o encontro para discutir a "solução final para a questão dos judeus na Europa" com líderes do governo não pertencentes às SS, incluindo os secretários-gerais dos Ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, cuja cooperação seria necessária para atingir o objetivo em pauta. A "Solução Final" era o código dos nazistas para o extermínio deliberado e cuidadosamente planejado” (de populações inteiras de judeus e outras minorias). Fonte: http://www.ushmm.org/outreach/ptbr/article.php? ModuleId=10007693
O extermínio relatado acima, teve início no leste europeu, sendo desdobrado para as outras regiões, posteriormente. A grande quantidade de mortos nos campos de concentração se deu em virtude do uso de câmara de gás, fuzilamento, experiências médicas, torturas, maus tratos, má alimentação, frio, doenças entre outros fatores e atrocidades cometidas.
No Tribunal de Nuremberg, os promotores apresentaram provas documentais acerca dos campos de concentração, bem como as técnicas que foram utilizadas, fato este que foi o ponto alto no julgamento dos 21 líderes alemães que estavam no banco dos réus.

Técnicos de áudio gravando o julgamento
A organização do Tribunal
Com o fim da guerra,houveram muitos problemas para a organização do julgamento dos líderes alemães. Os ingleses queriam que esses líderes fossem simplesmente executados, sem o direito à um processo, sendo que, muitos outros líderes também apoiavam tal ideia. Ademais, não havia entres os aliados um consenso quanto ao modelo de julgamento a ser realizado e, muito menos, quem seria julgado. No fim das contas, chegou-se à um acordo que de haveria uma lista que reunisse os criminosos de guerra alemães; os japoneses seriam julgados depois, enquanto que, a Itália, havia mudado de lado no final da guerra, ajudando a derrubar Mussolini.

Por fim, determinou-se um conjunto de 24 nomes de alemães dos principais setores administrativos, militares e empresariais do sistema.

Outro desafio enfrentado foi a escolha do local para sediar o Tribunal, uma vez que as principais cidades alemãs estavam destruídas pela guerra. Nuremberg foi escolhida pois foi a cidade escolhida por Hitler para sediar importantes comícios e festividades do partido. Para alguns historiadores, Nuremberg foi a capital cultural durante o nazismo. Também, em Nuremberg havia uma construção que sobrevivera aos bombardeios e oferecia uma estrutura para um Tribunal e uma prisão: O Grand Hotel foi preparado pelos aliados para se transformar em dos dos palcos do evento mais importante do século XX.
Definido pelo Acordo de Londres, assinado em 08 de agosto de 45, o Tribunal de Nuremberg foi um Tribunal de exceção, ou seja, com caráter temporário, com principal objetivo de julgar os crimes ocorridos durante a II Guerra. O Tribunal foi composto por juízes norte americanos, ingleses, franceses e russos.
Os aliados elaboraram a Carta do Tribunal Militar Internacional e definiram que os alemães e seus colaboradores seriam julgados de forma individual, conforme suas responsabilidades, por terem participado de determinadas organizações, pelos seguintes crimes: contra a paz (preparação, estímulo ou início de uma guerra de agressão); guerra (violação das leis ou de normas gerais da guerra, incluindo assassinato, maus tratos, deportação para o trabalho escravo, pilhagem, etc); crimes de conspiração (acordo de vontades e consentimento acerca dos procedimentos, ou seja, cumplicidade) e, por fim, crimes contra a humanidade (extermínio, escravização, deportação e outras ações desumanas).

Cartão para o Julgamento do Tribunal de Nuremberg- datado de 30 de Janeiro de 46
Verso do cartão para o Julgamento do Tribunal de Nuremberg- datado de 30 de Janeiro de 46
Os julgamentos se iniciaram no dia 20 de novembro de 45 e somente terminaram em 14 de abril de 49. Uma equipe de tradutores faziam as traduções simultâneas de todos os procedimentos nos quatro idiomas do processo: inglês, francês, alemão e russo.
O promotor norte americano Robert Jackson decidiu julgar os casos utilizando como base documentos escritos pelos alemães e não testemunhas oculares, a fim de evitar acusações de que o julgamento havia utilizado testemunhas selecionadas, tendenciosas ou parciais. Contudo, houveram testemunhos que revelaram grande parte do que se é conhecido sobre o Holocausto. Foram ouvidas 236 testemunhas e 5 mil documentos foram analisados nos 218 dias do processo.


Além de todos os horrores revelados no Tribunal, o depoimento mais chocante foi de Rudolf Hoess, comandante do campo de extermínio de Auschwitz. Parte de seu interrogatório:
Promotor - De 1940 a 1943 o senhor comandou o campo de Auschwitz. É verdade?
Hoess - Sim.
Promotor - E, durante esse tempo, centenas de milhares de seres humanos ali foram mortos. Isto é correto?
Hoess - Sim.
Promotor - É verdade que o senhor não anotou a quantidade de vítimas porque estava proibido de fazê-lo?
Hoess - Está correto.
Promotor - E também é correto que somente um homem, chamado Eichmann, tinha esses números? Que este homem cumpria a tarefa de juntar e organizar as vítimas?
Hoess - Sim. Promotor - É verdade que Eichmann lhe revelou que mais de dois milhões de judeus foram aniquilados em Auschwitz?
Hoess - É verdade.
Promotor - Homens, mulheres e crianças?
Hoess - Sim.
Promotor - É verdade que em 1941 o senhor foi chamado a Berlim para se encontrar com Himmler. O que foi discutido nessa ocasião?
Hoess - Ele me disse que Hitler havia emitido uma ordem para a solução final do problema judaico e que nós, da SS, deveríamos cumprir essa ordem. Se isso não fosse feito, os judeus destruiriam a Alemanha. Eichmann havia escolhido Auschwitz por por estar numa região isolada e ter fácil acesso ferroviário.
Promotor - Essa solução final deveria ser tratada como um segredo de estado?
Hoess - Sim. Ele enfatizou este ponto. Eu não poderia dizer nada, nem mesmo ao meu superior. Tudo deveria ficar entre nós dois.
Promotor - O senhor cumpriu essa promessa?
Hoess - Quebrei-a somente com minha mulher, que tinha ouvido rumores sobre o que se passava no campo.
Promotor - Quando o senhor conheceu Eichmann?
Hoess - Um mês depois de receber a ordem de Himmler. Ele veio a Auschwitz para acertar comigo os detalhes da operação e somente dele eu deveria receber qualquer ordem.
Promotor - Quando os transportes começaram a trazer os judeus, quantos vieram ao campo?
Hoess - Os trens eram diários e traziam cerca de duas mil pessoas. Dois médicos da SS avaliavam a capacidade de trabalho dos prisioneiros.
Promotor - Depois da chegada, os prisioneiros eram desprovidos de tudo que possuíam? É verdade que tinham que se despir e entregar seus valores?
Hoess - É verdade.
Promotor - E eram imediatamente levados para as execuções?
Hoess - Eram.
Promotor - Essas pessoas sabiam o que lhes estava aguardando?
Hoess - A maioria, não, porque havia placas em diferentes idiomas indicando locais de desinfecção ou chuveiros.
Promotor - O senhor me declarou em depoimento anterior que as mortes nas câmaras de gás ocorriam num tempo de três a quinze minutos. É verdade?
Hoess - Sim.
Promotor - Alguma vez o senhor sentiu pena das vítimas, pensando na sua família e nos seus próprios filhos?
Hoess - Senti.
Promotor - E, como apesar disso, conseguia perpetrar suas ações?
Hoess - A despeito do sentimento, o argumento mais decisivo era a ordem que eu recebera de Himmler.
Em 01 de outubro de 46, o Tribunal deu seu veredito, sendo que para efetuar a condenação, era necessário uma maioria de 3/4 dos juízes. Foram sentenciando os 22 réus presentes, absolvendo três e condenando os demais a penas que variavam de 10 anos de prisão à morte por enforcamento.
Hitler, Himmler e Goebbels nunca foram julgados pois cometeram suicídio antes do final da Guerra e desta forma, o Tribunal decidiu não julgá-los postumamente para não dar a impressão de que eles talvez estivessem vivos.
Hermann Göring, antigo Marechal do regime, foi considerado o nazista número um, após Hitler, Himmler e Goebbels terem cometido suicídio.
Em Nuremberg cada réu era observado por um guarda, que permanecia constantemente postado na frente da cela. Medida visava impedir suicídios. 24/11/45
No dia 16 de outubro de 46, foram executadas dez penas de morte contra os representantes do regime alemão. Três cadafalsos foram instalados para a execução no "presídio" de Nuremberg. Göring suicidou-se na véspera da execução. Dois seguranças do presídio perceberam que ele se mantinha imóvel, deitado sobre um banco. Chamaram seus superiores e um médico, que constatou sua morte por envenenamento. Nunca foi esclarecido quem lhe entregou o veneno.

Hermann Göring foi o Ministro da Aeronáutica e comandante-chefe da Luftwaffe, Ministro do Interior e Reichsmarschall do Führer, a mais alta patente das Forças Armadas.
Quadro demonstra as acusações contra oficiais alemães que agiram na 2ª Guerra
Por fim, os réus e as sentenças foram as seguintes:
Rudolf Hess - vice-líder do Führer no NSDAP (Partido Nazista). Hess era uma figura excêntrica e hipocondríaca, sendo que tentou se matar por duas vezes (1942 e 1945). Foi Hess quem voou até a Escócia sozinho em uma tentativa desesperada de negociar a paz com a Inglaterra. Foi capturado pelos britânicos. No julgamento, Hess tentou se passar por louco por várias vezes ou, no mínimo, incapaz de enfrentar os julgamentos. Foi sentenciado à prisão perpétua. Foi o último prisioneiro da prisão especial para os criminosos de guera em Spandau. Faleceu em 17 de agosto de 1987.
Joachim von Ribbentrop - Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reich entre 1938 e 1945, sendo responsável pleo projeto expansionista alemão, que levou à invasaõ da Áustria e da Tchecoslováquia. Foi sentenciado à forca. Teve sua pena executada no dia 16 de outubro de 1946.

Willhelm Keitel- Marechal de Campo do Exército e um dos líderes do OKW (Operações de Alto Comando). Foi um militar cumpridor de ordens de Hitler. No Tribunal, este argumento foi repetido inúmeras vezes por Keitel. Foi sentenciado à forca. Teve sua pena executada no dia 16 de outubro de 1946.
Ernst Kaltenbrunner - Chefe do RSHA e possuía a maior patente da SS capturada pelos aliados. Foi acusado de torturar e matar os inimigos políticos do regime. No Tribunal, recusou a admitir os crimes cometidos, chegando a negar, até mesmo, suas assinaturas e as pessoas que conhecia. Foi sentenciado à forca. Teve sua pena executada no dia 16 de outubro de 1946.
Alfred Rosenberg- Ministro dos Territórios Ocupados do Leste. Se autointitulava como "filósofo do nazismo". Foi autor do Livro "Der Mythus des zwanzigsten Jahrunderts" - O mito do século XX. Rosenberg gerenciou a deportação e o extermínio de milhares de pessoas. Segundo o pesquisador Paul Roland, Rosenber supervisionou o roubo de obras primas em toda a Europa, sendo que, somente em Paris, 38 mil obras foram roubadas. Foi sentenciado à forca. Teve sua pena executada no dia 16 de outubro de 1946.
Hans Frank - Governador/General da Polônia ocupada. Foi advogado, político e militar nazista atuante no território polonês. Foi sentenciado à forca. Teve sua pena executada no dia 16 de outubro de 1946.
Wilhelm Frick - Foi um político nazista e Ministro do Interior durante os anos de 1933/43, quadno foi deposto em uma disputa interna com Himmler. Depois de 43, Hitler o nomeou como reichsprotektor da Boêmia e Morávia. Durante o julgamento, se manteve inalterado, assim como havia se mantido impassível perante as leis que promulgou e as perseguições políticas e étnicas das quais participou. Foi sentenciado à forca. Teve sua pena executada no dia 16 de outubro de 1946.
Julius Streicher - Editor do Jornal "Der Sturmer", professor e gauleiter (líder porvincial nazista) entre os anos de 1933 e 1940. Streicher foi tido por muitos como sádico e antissemita fanárico. Foi sentenciado à forca. Teve sua pena executada no dia 16 de outubro de 1946.
Walter Funk - Ministro da Economia, presidente do Reichsbank. Funk foi um jornalista nacionalista e antimarxista na década de 20. Em vários momentos no Tribunal, ele se mostrou abatido e emocionado, demonstrando que tinha uma capacidade limitada para suportar as acusações. Foi sentenciado à prisão perpétua, mas foi libertado por motivo de doença em 16 de maio de 1957. Faleceu em 1960.

Karl Doenitz - Almirante, comandante-chefe da Marinha (1943/45) Chanceler (1945), por 23 dias após o suicídio de Hitler. Doenitz foi um membro radical do NSDAP e foi acusado de vários crimes de guerra, especialmente os relacionados a Ordem Laconia, que permitia o assassinato de militares indefesos em botes salva-vidas após o bombardeio de navios inimigos. Foi o idealizador da Rudeltaktik, a tática de operações navais alemã contra navios aliados no Atlàntico. Foi sentenciado à forca. Teve sua pena executada no dia 16 de outubro de 1946.
Fritz Sauckel- Plenipotenciário da Colocação de Trabalhadores, era o subordinado imediato de Speer, sendo que forneceu trabalhadores escravos à Speer, em uma estimativa de 10 milhões, de 1942 até o fim da Guerra. Sauckel não admitia seus crimes e tentava ludibriar as autoridades no Tribunal, se fazendo de pessoa bem intencionada à serviço da Alemanha. Mas, ele enviava pessoas para trabalhos forçados, torturava e explorava trabalhadores estrangeiros, alemães, prisioneiros políticos e militares. Foi sentenciado à forca. Teve sua pena executada no dia 16 de outubro de 1946.
Alfred Jodl- Chefe de Operações do OKW (Operações de Alto Comando). Foi Jodl que aconselhou o Führer, planejou e executou a ocupação militar da Europa, além de assinar a execução de prisioneiros de guerra. Foi sentenciado à forca. Teve sua pena executada no dia 16 de outubro de 1946. Em 1983, um Tribunal alemão considerou Jodl inocente de infringir a lei internacional.

Albert Speer - Ministro do Armamento e da Produção de Guerra; arquiteto pessoal de Hilter. Speer circulava pelo alto escalão nazista e sabia praticamente de tudo o que acontecia, por mais que tenha negado isso em Nuremberg. Contudo, mostrou-se arrependido e procurou colaborar com os interrogatórios, esperando uma sentença mais benéfica. Foi sentenciado a 20 anos de prisão. Cumpriu totalmente sua pena e faleceu em 01 de setembro de 1981.
Konstantin von Neurath - o Barão von Neurath tornou-se Ministro dos Negócios Estrangeiros entre os anos de 1932/38 e depois tornou-se o Protetor do Reich de Boémia e Morávia (Tchecoslováquia). Foi sentenciado a 15 anos de prisão e libertado em 1953 devido à uma doença. Faleceu em 14 de agosto de 1956.
Erich Raeder - Almirante da Kriegsmarine (1928-1943). Recebeu acusações de guerra de agressão por ter planejado a invasão dos territórios da Noruega e da Dinamarca em 39. Foi sentenciado à prisão perpétua, mas foi libertado em 1953 devido a doença. Faleceu em 6 de novembro de 1960.
Baldur von Schirach - Chefe da Hilterjugend - Intelectual e aristocrata alemão, foi um dos líderes da Juventude Hitlerista e gauleiter de Viena. Passava a maioria do tempo lendo em sua cela. No entanto, sua aparência procurava disfarçar os crimes de colaboração, como o transporte de judeus e outras minorias para os campos de extermínio na Polônia. Foi sentenciado a 20 anos de prisão. Cumpriu a pena e faleceu em 8 de agosto de 1974.

Franz von Papen - Ocupou o cargo de Reichskanzler em alguns meses no ano de 1932, se tornado o Vice-Chanceler em 1933, tendo ocupado vários outros cargos políticos e diplomáticos. No Tribunal, Papen chegou a dizer que tentou influenciar Hitler para acabar com a perseguição antissemita aos judeus e que era uma pessoa que trabalhava para a paz. Foi absolvido e em 1947, um tribunal de desnazificação alemão condenou Papen a 8 anos em um campo de trabalho. Ele foi absolvido depois de recurso, quando já tinham decorrido mais de dois anos. Faleceu em 2 de maio de 1969.
Arthur Seyss-Inquart - Era advogado e político austíaco, tendo ocupado o cargo de Ministro de Interior e Chanceler da Áustria, além de vice-governador da Polônia ocupada. Participou das negociações de entrega da Áustria aos nazistas, além de ter enviado milhares de judeus holandeses para os campos de extermínio. Foi sentenciado à forca. Teve sua pena executada no dia 16 de outubro de 1946.
Hans Fritzsche - Chefe da divisão de rádio do Ministério da Propaganda e subordinado apenas de Joseph Goebbels. Foi absolvido e faleceu em 27 de setembro de 1953.
Hjalmar Schacht - Empresário, político e bnaqueiro. Ocupou o cargo de diretor do Banco Central de Ministro da Economia (1934/37). Sua contribuição para os crimes de guerra ocorreu de forma indireta e ajudou a recuperar e desenvolver a indústria alemã. Foi absolvido. Faleceu em 3 de junho de 1970.
Fonte: Museums.nuernberg

As sentenças de morte foram realizadas por enforcamento, mas os juízes franceses sugeriram o uso de fuzilamento, por se tratar de condenados militares e de tal procedimento ser normal nos Tribunais de Guerra Militares. Tal pedido foi oposto por Biddle e pelos juízes russos sob o argumento de que os oficiais militares haviam violado a ética militar e não mereciam ser fuzilados. Também foi reportado que Streicher teria gritado: "Heil Hilter" na forca. Os demais prisioneiros cumpriram suas penas na Prisão de Spandau, em Berlim. A prisão de Spandau foi construída em 1876 e demolida em 1987, após a morte de seu último prisioneiro, Rudolf Hess.

Prisão de Spandau - 45
As sentenças foram executadas no dia 16 de outubro de 1946. Depois dos enforcamentos,os corpos dos 10 sentenciados à morte, com exceção de Göring que havia cometido suicídio e Bormann que estava desaparecido, foram transportados para Munique e cremados no Cemitério Ostfriedhof e suas cinzas espalhadas em um afluente do Rio Isar.
Após esses julgamentos, foram realizados os chamados Processos de Guerra de Nuremberg. Foram uma série de doze julgamentos por crimes de guerra contra os membros chefes sobreviventes. Todos ocorreram no Palácio da Justiça de Nuremberg.
Caso I- Processo contra os médicos (09 de dezembro de 46 a 20 de agosto de 47)- Foi organizado pelas cortes norte americanas, sendo que 23 acusados eram médicos ou acusados de se envolverem em experimentos humanos.

Caso II- Processo Milch (02 de janeiro a 17 de abril de 47) - Neste julgamento, o Marechal da Luftwaffe Erhard Milch foi acusado de cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Milch se declarou não culpado, mas foi condenado à prisão perpétua. Em 1951, sua pena foi reduzida para 15 anos de prisão e teve direito à condicional em 1954. Faleceu em 25 de janeiro de 1972 em Wuppertal, na Alemanha.
Caso III- Processo contra os Juristas (17 de fevereiro a 14 de dezembro de 47)- Foram réus 16 juristas e advogados alemães. Os réus foram acusados como responsáveis pela implementação e promoção através de leis de eugenia e raça.
Caso IV- Processo Pohl (13 de janeiro a 3 de novembro de 47)- Processo contra administração da Alemanha. As acusações foram de participação para cometer crimes de guerra e contra a humanidade; crimes de guerra mediante a administração de campos de concentração e campos de extermínio e o assassinato em massa; membros de organização criminosa, a SS.
Caso V- Processo Flick (18 de abril a 22 de dezembro de 47)- Processo contra colaboradores e chefes alemães. Nesse processo, a SS foi declarada como uma organização criminosa.

Caso VI- Processo IG Farben - (14 de agosto de 47 a 30 de julho de 48)- Processo contra 23 executivos sênio da IG Farbenindustrie. A IG Farben foi fundada em 1925 e deteve o monopólio quase total da produção química na Alemanha nazista. Durante o planejamento da invasão da Polônia, a IG Farben cooperou com os oficiais nazistas, sendo que, também construiu uma fábrica para a produção de óleo sintético e borracha em Auschwitz, que foi uma pedra basilar no início da atividade da SS durante o Holocausto. O pesticida Zyklon B, para qual a IG Farben detinha a patente, era usado nas câmaras de gás. O Zyklon B era um pesticida à base de ácido cianídrico, cloro e nitrogênio e seu nome deriva dos substantivos alemães dos ingredientes principais, sendo que o composto foi escolhido por proporcionar, com eficiência, uma morte rápida.
Rótulos de latas de Zyklon B do campo de concentração de Dachau
Caso VII- Processo de Generais no sudoeste da Europa (15 de julho de 47 a 19 de fevereiro de 48)
Caso VIII- Processo RuSHA (01 de julho de 47 a 10 de março de 48) - Foram acusados 14 oficiais de variados escalões da SS, quais foram responsáveis pela implementação do programa "raça pura".
Caso IX- Processo Einsatzgruppen (15 de setembro de 47 a 10 de abril de 48) - Einsatzgruppen era o nome dado à tropa de morte de Schutztaffel, que operou nos países ocupados pela Alemanha até 1943. Essa tropa matou mais de um milhão de judeus, dezenas de milhares de partisianos, inimogos políticos, ciganos e deficientes físicos.
Caso X- Processo Krupp (8 de dezembro de 47 a 31 de julho de 48) - Processo contra os colaboradores e chefes do nazismo.
Caso XI - Processo Wilhelmstrassen (4 de novembro de 47 a 14 de abril de 48) - Processo contra o Ministério das Relações Exteriores e outros Ministérios.
Caso XII- Processo contra o Alto Comando (30 de dezembro de 47 a 29 de outubro de 48) - Os acusados foram a Alta Patente, Generais da Wehrmacht, acusados de terem sido membros do ALto Comando da Alemanha Nazista. Foram acusados de terem participado ou planejado e facilitado a execução de inúmeros crimes de guerra e atrocidades cometidas em países ocupados pelo exército alemão. Dos 14 réus, somente dois foram absolvidos.
No total, 185 pessoas foram acusadas, sendo 39 médicos e advogados, 56 integrantes do partido e da polícia nazista, 42 industriais e gestores, 26 líderes militares e 22 ministros e funcionários do governo. No decorrer do processo, 35 foram absolvidos, 24 condenados à morte, 20 à prisão perpétua e 98 à prisão, com penas variando de 18 meses a 25 anos.
Convém destacar que este Tribunal serviu como base para a criação do Tribunal Penal Internacional em Haia, na Holanda, estabelecido em 2002.
Para quem tiver mais interesse na história do Tribunal de Nuremberg, há o site oficial do Memorial do Julgamento de Nuremberg e, para quem tiver viajando, pode visitar o local, que informa a conduta e os efeitos dos julgamentos. Também há exposição de documentos originais, documentos históricos em áudio e filme. Saiba mais aqui.
Também tem o filme "O julgamento de Nuremberg", que retrata como se deu a criação do Tribunal e também sobre o primeiro julgamento. O filme é de 2000 e tem Alec Baldwin no papel do Promotor da Suprema Corte.

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A corte em 1945

A corte nos dias atuais
Por Juliana Hembecker Hubert





