Obras saqueadas e perdidas na Segunda Guerra Mundial
02/07/2019 10:00
Todos sabem que durante a Segunda Guerra muitas obras de artes foram saqueadas pelo Terceiro Reich e teve muito esforço dos Museus para que suas obras fossem preservadas, como o National Gallery e o Louvre. Porém, apesar desses esforços, muitas obras acabaram se perdendo ou foram destruídas.

A pilhagem de obras teve seu início em 1933 e durou até o final da Guerra e foram feitas pelo Kunstschutz, que tinha como objetivo proteger a arte do inimigo para retornar ao seu lugar de origem após o fim da Guerra. Mas não foi bem assim que aconteceu.

O ano de 1933 foi o ano em que Hitler assumiu o poder e acabou reforçando o ideal estético de nação. Vale destacar que Hitler foi um artista não reconhecido, tendo sua admissão negada na Academia de Belas Artes de Viena e ele atacava ferozmente a arte moderna, como o cubismo, dadaísmo, alegando ser arte degenerada. Diante disso, os tipos de artes favorecidos foram os velhos mestres, ou seja, os pintores antes de 1800.
A arte moderna acabou sofrendo muitas perdas neste período, pois tudo que era encontrado nos museus da Alemanha foi vendido ou destruído. Para essa função, foi designado Hildebrand Gurlitt, um comerciante de artes alemão, historiador de arte.
Gurlitt foi um dos quatro representantes nomeados pela Comissão para a Exploração de Arte Degenerada (juntamente com Karl Buchholz, Ferdinand Möller e Bernhard Böhmer) para comercializar obras de arte confiscadas no exterior. Cerca de 16.000 obras de arte "degeneradas" foram removidas dos museus e confiscadas em toda a Alemanha. Alguns desses trabalhos foram exibidos na Exposição de Arte Degenerada (Die Ausstellung "Entartete Kunst"), que foi uma exposição organizada por Adolf Ziegler e o Partido Nazista em 1937. Na exposição foram apresentadas 650 obras confiscadas dos museus alemães, as quais muitas foram apresentadas sem molduras e parcialmente cobertas.

Após a queda da França, Hermann Göring nomeou uma série de revendedores aprovados pela Reichsleiter Rosenberg Taskforce, incluindo Gurlitt, para adquirir ativos de arte franceses para o Führermuseum planejado por Hitler, que ele queria construir em Linz; alguns dos trabalhos também foram para aumentar a coleção de arte pessoal de Göring.
* O Reichsleiter Rosenberg Taskforce foi uma organização dedicada à apropriação de bens culturais.
Porém, Gurlitt não teve muito sucesso nas vendas, principalmente porque a Arte Degenerada não tinha muita procura. Devido à isso, no dia 20 de março de 1939, acabaram incendiando 1004 pinturas e esculturas, 3825 aquarelas, desenhos e gravuras no pátio do Corpo de Bombeiros de Berlim. Esse ato, que podemos dizer ser propagandista, acabou dando certo e despertou a atenção esperada. Depois da queima das obras de artes, o Museu da Basiléia foi até Berlim com cerca de 50 mil francos para comprar obras de artes, bem como amantes das artes vieram em busca de telas e esculturas.
Um dos artistas que mais sofreu com a destruição da Arte Degenerada foi o expressionista alemão Ernst Ludwig Kirchner, onde teve cerca de 600 obras destruídas. Em 1938, Kirchner acabou se matando.

A tela abaixo é nomeada como "Auto Retrato como soldado", de Ernst Ludwig Kirchner, óleo sobre tela, o qual felizmente não foi destruído e que é mantido na coleção do Museu de Arte Memorial Allen no Oberlin College.

Outra obra perdida foi um dos auto retratos de Vincent Van Gogh, que mostra o pintor sozinho com seus materiais de arte em uma estrada na Provença. A tela foi destruída em um incêndio em maio de 1945.

Outra tela que somente é conhecida através de fotos é a pintura de Caravaggio "São Mateus e o Anjo" de 1602. A obra fazia parte de uma coleção do antigo Museu Kaiser Friedrich, e acabou sendo incendiada no final da Segunda Guerra, enquanto estava guardada em um bunker antiaéreo em Berlim.

Outro artista que teve suas obras perdidas durante a Guerra foi Gustave Coubert. A tela "The Stone Breakers" (1849) tinha um realismo social que detalhava os trabalhadores quebrando pedras. A obra foi destruída em Dresden juntamente com outras 154 peças, as quais foram transferidas para um castelo em Dresden e foram atingidas por bombas aliadas.

O bombardeio na cidade de Dresden teve cerca de 3,9 mil toneladas de bombas, que matou quase 25 mil pessoas e destruiu grande parte da cidade e seus objetos culturais. A Galeria de Dresden foi seriamente danificada, sendo que, embora muitas obras tenham sido escondidas, algumas das que restaram foram perdidas para sempre. As obras que foram escondidas, uma parte foi confiscado e transferida para a União Soviética. Cerca de 206 telas foram destruídas e 450 continuam desaparecidas.
Uma pintura na Igreja de Santa Maria em Lübeck, denominada Dança da Morte, acabou sendo destruída em 1942 após um bombardeio aliado atingir a Igreja. No bombardeio também foram destruídas obras de Adriaen Isenbrandt e Jacob van Utrecht. Os sinos da Igreja também despencaram da torre e se despedaçaram.
Uma curiosidade é que, em virtude dos bombardeios, o gesso da Igreja caiu e revelou pinturas medievais, as quais estavam perdidas. Porém, infelizmente, a pessoa encarregada da restauração dessas pinturas medievais contratou alguém que não era muito especializado para realizar tal restauração e acabou criando sua própria versão das pinturas. Foi algo como a conhecida e atual "restauração" da imagem de "Ecce Homo" na Igreja Iglesia del Santuario de Misericórdia em Borja, Espanha. Para quem não lembra, foi essa "restauração":

No Castelo de Immendorf, na Áustria, tinha 13 pinturas de Gustav Klimt, as quais foram colocadas no castelo entre os anos de 1898 e 1917. De 1942-45, o Institüt für Denkmalpflege alugou quartos no Castelo de Immendorf com o propósito de armazenar arte de várias coleções de arte, incluindo objetos da MAK, a coleção de arte da família von Suttner e a confederada Lederer.

Em 8 de maio de 1945, o último dia da guerra na região, o castelo pegou fogo, presumivelmente iniciado pela retirada do "Feldherrnhalle" - uma divisão de tanques do exército alemão. Assumiu-se que este fogo destruiu todos os objetos que foram transferidos para o castelo para armazenamento seguro.
As perdas incluíram uma importante sequência de pinturas de Gustav Klimt, as pinturas de teto da Universidade Klimt de Viena de 1900 a 1907. Parece que os únicos restos desta coleção particular do trabalho de Klimt são esboços preparatórios, muitos dos quais estão nas coleções de o Albertina (Viena) e algumas fotografias.
Outra obra perdida na Segunda Guerra foi a famosa Sala Âmbar, o qual foi criada em 1701 pelo escultou Andreas Schüter e pelo mestre artesão de âmbar Gottfried Wolfram, a sala tinha 180 pés de painéis em âmbar e ouro com mosaicos de pedras preciosas. Muitas vezes, esta sala foi chamada de A Oitava Maravilha do Mundo. Considerada uma obra prima da arte barroca, valia cerca de 140 milhões de dólares nos dias de atuais.
Esta sala passou 225 anos como tesouro nacional russo, mas quando os alemães invadiram a Rússia, separaram a sala e transferiram para a Alemanha, em Königsberg, onde acabou desaparecendo no final da Guerra. A maioria dos historiadores acredita que foi destruída em um bombardeio dos Aliados em 1944, mas também há evidências sugerindo que a sala foi empacotada e removida da cidade. A partir daí, sugerem algumas teorias, ele poderia ter sido carregado em um navio que afundou no mar Báltico ou simplesmente segregado em um cofre ou bunker. A sala original nunca foi encontrada, mas uma réplica da câmara foi posteriormente construída e instalada em um museu perto de São Petersburgo.

Outra obra roubada pelos nazistas, foi o "Retrato de um Jovem" de Rafael. Muitos historiadores consideram ser a pintura mais importante que desapareceu na Segunda Guerra. O retrato é pintado em óleo sobre tela, provavelmente entre os anos de 1513/14, pelo pintor Raffaello Sanzio, e muitos historiadores acreditam ser o auto retrato de Rafael.
Quando os nazistas invadiram a Polônia em 39, o príncipe Augustyn Josef Czartoryski resgatou peças do Museu Czartoryski, incluindo o "Retrato de um Jovem", a Dama com Arminho, de Leonardo e uma obra prima de Rembrandt.

Dama com Arminho
Essa coleção estava escondida em uma casa na cidade de Sieniawa, mas, mais tarde, acabou sendo descoberta pela Gestapo, trabalhando para Hans Frank, chefe de administração na Polônia ocupada. Da coleção, estas três pinturas decoraram a residência de Frank em Cracóvia.antes de serem enviados para Berlim e Dresden, para se tornarem parte da coleção do próprio Führer em Linz.
Em janeiro de 1945, Frank trouxe as pinturas da Alemanha para Cracóvia para uso próprio no Castelo Real de Wawel . Aqui é onde o Retrato de um Jovem foi visto pela última vez.
Os americanos prenderam Frank em 3 de maio de 1945 e ele foi executado em 1946. O representante polonês na Comissão Aliados para a Recuperação de Obras de Arte localizou algumas das pinturas roubadas por Frank e as reivindicou em nome do Museu Czartoryski. No entanto, o "Retrato de um Jovem" e 843 outros artefatos sumiram.
Nenhuma fotografia colorida da pintura foi feita antes de desaparecer; a imagem colorida foi feita artificialmente.


Obras que foram destruídas durante a Segunda Guerra:
- Danae - Annibale Carracci
- São Gregório, Annibale Carracci - estava na Igreja de San Gregorio Magno, em Roma.
- Descida da Cruz, Ludovico Carracci, anteriormente estava na coleção de Ellesmere, Bridgewater House, Westminster, Londres.
- Afrescos da Vida de São Benedito, Luca Giordano, pintado na Abadia de Monte Cassino, foi destruído durante o bombardeio em 15 de fevereiro de 44.
- Concepção Imaculada, Guido Reni
- The Farmes Brawl, Pieter Brueghel, destruído no bombardeio de Dresden.
- Duque Henrique da Saxônia, Cranach the Elder, destruído no bombardeio de Dresden.
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Por Juliana Hembecker Hubert





