Os Capelães na FEB

Os Capelães na FEB

FEB

01/03/2021 10:00

Em 22 de agosto de 1942. após uma reunião com seu gabinete, o então presidente Getulio Vargas declarava guerra a Alemanha e seus aliados. O Brasil deveria então preprar o seu exercito para o conflito.

Três divisões da Força Expedicionária deveriam estar prontas para operarem no teatro de operação, o que seria um total de 60 mil homens. Esse era o previsto, entretanto o efetivo foi muito abaixo do estimando sendo enviado apenas uma divisão composta por 25.334 soldados.

No dia 1 dia julho de 1944 comandando pelo Gen. Euclides Zénobio da Costa o 1º escalão da FEB embarcava sem saber ainda que o seu destino era o porto de Nápoles, a chegada aconteceu no dia 16 de Julho de 1944.

Já os 2° e 3° escalões tiveram seu embarque no dia 22 de setembro de 1944 e 4° escalão saiu no dia 8 de Fevereiro de 1945.

Os escalões foram trasportados nos navios General Meigs e General Mann.

A FEB estava dividida em: um regimento de infantaria (6º Regimento de Infantaria); um grupo de artilharia; uma companhia de engenharia e elementos ligados aos setores de manutenção, reconhecimento, saúde, comunicações, polícia, justiça, Banco do Brasil e correios.



Criação do Serviço de Assistência Religiosa da Força Expedicionária Brasileira

Na guerra são lembrandos sempre aqueles que empunhão o fuzil, mas pouco é falado daqueles que se esforçam para que os soldados tenham condições de lutar. Neste post vamos falar um pouco mais sobre os capelães e a sua importância no campo de batalha.

O Brasil não tinha um sistema de assistência religiosa para o exército desde a Proclamação da República, quando da separação da religião e estado. Antes da Segunda Guerra Mundial, o último conflito que se tem conhecimento de que existia uma amparo religioso, foi a guerra do Paraguai.

A SAREX (Serviço de Assistência Religiosa do Exército) retornou a instituição somente em maio de 1944, por determinação do presidente Getúlio Vargas em maio de 1944, a intenção da criação era o auxílio aos soldados que estavam se preparando entrar no teatro de operações na Itália.

O Decreto Lei n. º 6.535, de 26 de maio de 1944, criava o então Serviço de Assistência Religiosa.

Os capelães deveriam destinar-se a:

a) a prestar, sem constrangimento ou coação, assistência religiosa;

b) a auxiliar e ministrar instrução de Educação Moral e Cívica nos Corpos de Tropa e Formações de Serviço;

c) desempenhar, em cooperação com todos os escalões de comando, os encargos relacionados com a assistência religiosa e moral, em qualquer situação.

Com o decreto lei criado, a FEB encontrava-se então amparada relegiosamente. Esse amparo era muito importante tanto para os soldados quando para os familiares. O Brasil na década de 40 era um pais acima de tudo religioso, e saber que poderia contar com fé em campo de batalha deixava os soldados de certa forma mais tranquilos.

Inciava-se então o recrutamento dos campelães. O ingresso se dava por voluntários apresentando-se um por um, o ingresso nas fileiras de campelães seguiam quase as mesma do soldado, existia uma inspeção rigorosa de saúde e depois uma avaliação de currciculo. A maioria dos capelães falavam mais de duas línguas sendo entre elas as mais populares o Inglês e o Italiano, não era incomun encontrar capelães com conhecimento em alemão.

Desta forma a FEB estava amparada pela assistência religiosa. Todos os capelães foram todos elevados a patente de oficiais tendo estes sido organizados em ordens hierárquicas. Os capelães utilizavam os uniformes padrão de oficiais com a divisa de capelão que era uma cruz.

A portaria n. º 6.573, editada em 8 de junho de 1944, contava com vinte e oito capelães nomeados.

1. Tenente Coronel João Pheeney de Camargo e Silva – Chefe do SAR” da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária(1ª D.I.E).

2. Tenente Coronel Pascoal Gomes Librelotto (Chefe do SAR-FAB)
3. Major Jonas Wanderley Lima (Frei Gil Maria) – capelão auxiliar da 1D.I.E
4. Major Marcial Muzzi do Espírito Santo
6. Capitão Hélio de Abrantes Viotti;
7. Capitão Waldemar Setaro;
8. Capitão Antonio Álvares da Silva (Frei Orlando);
9. Capitão Amarildo Silvestri;
10. 1º Tenente Olavo Ferreira de Araújo;
11. 1º Tenente Joaquim de Jesus Dourado;
12. 1º Tenente Alberto Costa Reis;
13. 1º Tenente Hipólito de Almeida Pedrosa;
14. 1º Tenente João Barbalho Uchôa Cavalcanti Sobrinho;
15. 1º Tenente Nicolau Vandelino Junges;
16. 1º Tenente João Batista Cavalcanti;
17. 1º Tenente Urbano Rausch;
18. 1º Tenente Jacob Emílio Schneider;
19. 1º Tenente Noé Pereira;
20. 1º Tenente Francisco Eloy de Oliveira;
21. 1º Tenente Nilo Kollet;
22. 1º Tenente Jorge Ferreira de Brito;
23. 1º Tenente Gregório Pelegrino Comasseto;
24. 1º Tenente Francisco Freire de Moura Filho;
25. 1º Tenente Enzo de Campos Gusso;
26. 1º Tenente Alcionilio Bruzzi Alves da Silva;
27. 1º Tenente Manoel Inocêncio de Lacerda Santos;
28. 1º Tenente João Filson Soren (Pastor) e;
29. 1º Tenente Juvenal Ernesto da Silva (Pastor)


Missão

A missão dos capelães ia muito além de realizar missas, eles tinham inúmeros afazeres, sendo que umas das atividades mais recorrentes era ajudar os pracinhas a escreverem cartas para suas famílias, eles constantemente visitavam hospitais e enfermarias Os campelães eram tão importantes quanto os médicos eles estavam junto desde o front até a retaguarda. A missão não era só confortar e prepar a alma, mas era também de elevar a moral da tropa de fortalecer suas mentes para que cumprissem sua missão e tivessem equilíbrio emocional, amenizavam as dores e sofrimentos dos feridos em combate.

Quando as unidades se achavam aquarteladas, acampadas ou embarcadas haviam cultos gerais diários. No transcorrer das operações de guerra, porém, sua celebração dependia da disponibilidade e das circunstâncias, realizando-se, quase sempre, em pequenos grupos reunidos no Posto de Comando dos pelotões e das companhias.

Nos sete meses de combate no front italiano, os soldados vivenciaram inúmeras experiências religiosas, as quais estavam relacionadas tanto a morte, ao convívio familiar e ao estímulo da moral do combatente.

De certa forma essas experiências estavam relacionadas as vivências no campo de batalha e com as missas, sermões, bênçãos, comunhões, crismas que eram realizando junto aos soldados. Os capelões também faziam assistência aos acamados.

A chegada ao teatro de operações não foi algo facil para ninguém todos tiveram suas adversidades e aos capelões era de amenizar as angustias e anseios com o ensinamento da fé

Uma das missões do capelães era trazer para um ambiente de guerra, uma paz espiritual e, logo no início, os capelães tiveram a missão de organizar uma missa pela vitoria e para o fim da guerra a missa foi realizada no dia 29 de outubro de 1944. A missa foi realizada na catedral de Pisa, foi ministrada pelo então Capelão Ten.Coronel Padre Pheeney Silva, e foi transmitida pela BBC de Londres.

O título utilizado pela BBC foi "Ecos de uma Missa Memorável". Ouça a missa completa no vídeo.

 

A missão era árdua e penosa, porém os capelões mantinham fé. Em fevereiro de 1945, o Padre Francisco Leite, capelão da Artilhara da 1º Divisão de Infantaria, fundou o então núcleo de União Católica dos Militares, onde eles organizavam grupos de oração do terço, para ajudar os capelães nas missas, batismos e ajudar na organização da leitura bíblica em folgas.

Os hospitais também estavam na lista de missão e atuação dos capelães foi primordial para levar o conforto aqueles que estavam doentes e feridos na batalha. COmo a fé não vê fardas e nem bandeiras, era comum hospitais receberem prisioneiros alemães feridos em combate e, apesar de toda a rivalidade, os inimigos eram recebidos com humanidade por todos do hospital incluindo pelos padres. Era comum também a visita em hospitais para a entrega de correspondências, onde eles ajudavam na leitura e na escrita de cartas para os familiares no Brasil.

As dificuldades e adversidades eram comum para os capelães, a neve o frio, os campos minados, o terreno montanhoso, as dificuldades intelectuais de estar acompanhando os horrores da guerra, a assistência espiritual era mantindo em todos os momentos. Os padres estavam sempre em perigo e atuavam em meio ao conflito, prestando socorro aos feridos, ministrando a extrema unção e auxiliando na indentificação dos mortos, ajudando desta forma o pelotão de sepultura.

Histórias reais

A Presente história está relatada no livro "Vivência de um ex- Capelão" nas páginas 82 e 83

O então Ten.Coronel capelão Pheeney teria ido ate a linha de combate desarmado para ajudar a recompor a linha de defesa que havia sido atacada pelos alemães, deixando a linha desorganizada, o que abalou a moral dos soldados, com a chegada do Ten. Coronel Capelão, o reequelibrio emocional retornou a tropa, onde os soldados relataram que se não fosse ele a tropa teria debandado. Um homem só recompos a moral de uma tropa e estabeleceu a ordem para o cumprimento do dever de todos.

Religião em foco

O final do ano de 1944 foi especificamente triste para os soldados da FEB que passavam o então primeiro natal distante da sua terra e familiares.

A tristeza era notória no teatro de operações. Os capelães, cientes do estado de espírito dos soldados, providenciaram juntamente com o serviço de assistência religiosa, um natal a altura de anos antes de estarem em guerra.

Foi então um grande evento onde os capelães celebravam missas e ouviam confissões da comunidade local, foram feitos presépio, e havia muita comida. As festas da noite de natal chegaram vindo diretamente de doações do Brasil, onde chegou uma grande caixa de papelão cheia de presentes, que tinha como destino os pracinhas. Essa assistência só foi possivel por intermédio da Legião Brasileira de Assistência.

Não só a legião fez um esforço como toda a sociedade brasileira para arrecadar a doação ao soldados para a celebração do natal.


Ajudar sempre!

O serviço do SAR ganhou destaque. Conforme elogio publicado no Boletim Interno n.º 64, de 5 de março de 1945:

 

Relatório Coronel Ruas

 
Frei Orlando, em caminho, depois de dizer o que fizera pela manhã, e o que ainda pretendia fazer, falava de uma irradiação feita pelos holandeses livres, para a parte ocupada de seu País. A uma observação qualquer ainda soltou uma de suas costumeiras gargalhadas. O Jipe marchava lentamente, subindo e as elevações, quando, de repente, estaca imobilizado por uma pedra. Prendia o eixo dianteiro. Os passageiros conseguem retirar a viatura que é posta a alguns metros da pedra fatídica.

Tomo a manícula do Jipe e me esforço por removê-la. O Sargento italiano, no intuito de ajudar-me, recurva-se junto à pedra e também tenta retirá-la a violentas coronhadas de sua carabina esta dispara e Frei Orlando, que solta um grito, leva a mão ao peito, dá alguns passos à frente, tirando ao mesmo tempo do bolso do casaco o seu terço e balbuciando, às pressas, uma Ave Maria. Corro para ele e faço deitar no caminho. A oração, apenas começada, é abafada pelo ofegar da agonia. Tudo isso, desde o fatal disparo, dura dez segundos.

Frei Orlando prestou, heroicamente, toda a assistência de sua religião aos nossos companheiros, vítimas do cumprimento do dever. Não se punha à retaguarda nem se conformava em ser mero espectador de um duelo. Ia assim procedendo, cumprindo rigorosamente os seus deveres para com Deus e a Pátria, o que para nós não constituía segredo nem surpresa, dando o nosso amigo exuberante demonstração do seu profundo sentimento cristão e cívico.

Por Murilo Hubert Schenfeld

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