Os irmãos brasileiros que morreram na I Guerra Mundial
03/02/2021 10:00
Douglas Edward Hood e Ronald Paton Hood eram irmãos e tinham origem britânica. Sua família acabou se mudando para o Brasil, onde seu pai Thomas MacDonald Hood, trabalhou na empresa Machine Cottons desde 1910. Em 1913 Thomas se tornou presidente da Companhia Brasileira de Linhas.
Em 1917, já com a I Guerra Mundial em curso, os irmãos Hood embarcaram no porto do Rio de Janeiro rumo à Inglaterra, juntamente com o filho de um empresário francês chamado Charley Taylor, que foi servir na França como tenente da 119º Battery, da Royal Field Artillery.
Douglas seguiu para o 1st Battalion Bedfordshire Regiment*, onde durante a I Guerra Mundial esteve atuando na Frente Ocidental, na Frente Italiana e no Oriente Médio.
*Este batalhão desembarcou na França apenas dezoito dias após o início da Guerra e esteve em vários conflitos na Batalha de Somme.
Douglas Edward Hood deixou o Brasil em janeiro de 1917 rumo à Inglaterra onde realizou treinamento básico. Sua unidade estava na Segunda Batalha de Arras em Nord-Pas-de-Calais.
De acordo com o site bedfordregiment, o Segundo Tenente Douglas Edward Hood foi morto em ação em 14 de abril de 1917, aos 21 anos. Douglas era filho de Thomas M. e Ellen Hood, de Pernambuco, Brasil e está sepultado no cemitério do vale do Zoave, em Souchez.
Douglas foi morto em um intenso bombardeio enquanto realizava uma construção de mule track para dar apoio aos soldados que estavam nos túneis Tottenham e Gevenchy-em-Gohelle.
Seu irmão, Ronald Paton Hood, por sua vez, foi enviado para o Royal Flying Corps, sendo incorporado no Squadron Nº 43, o Fighter Cocks.
Esse esquadrão foi formado na Escócia em abril de 1916 e prestou serviços nas duas Grandes Guerras, formando grandes ases da aviação.

Ronald, com 19 anos na época, foi um dos integrantes da Esquadrilha B. Em 1917, os Fighter Cocks receberam aviões do tipo Sopwith Camel F1, um caça biplano. Desenvolvido pela Sopwith Aviation Company como um sucessor do Sopwith Pup e se tornou um dos caças mais conhecidos da Primeira Guerra.
Armado com duas metralhadoras Vickers, e embora difícil de manusear, era altamente manobrável nas mãos de um piloto experiente, um atributo vital nas batalhas aéreas de baixa altitude e velocidade relativamente baixa da época.
No dia 28 de setembro, pouco mais de dois meses da morte do seu irmão Douglas, Ronald decolou em seu Camel para atacar tropas alemãs e fazer patrulhas. Neste dia, Ronald estava atuando como ala do Capitão Thomas S. Wynn. Porém, no final da tarde enquanto sobrevoavam ao norte da cidade de Lens, em Nord-Pas-de-Calais encontraram com o piloto alemão Enest Udet em seu avião Albatros DV.
Enest Udet ficou conhecido como o segundo maior ás alemão, ficando atrás apenas de Manfred von Richthofen. Udet era membro do esquadrão de caça Jagdstafell 37, do Luftstreitkräfte, o Corpo Aéreo Imperial Alemão.
Naquele dia 28 de setembro, Udet encontrou com a patrulha de Hood e de Wynn e logo mirou no avião que estava atrás e abriu fogo contra o inimigo que não ofereceu nenhuma resistência. Neste avião estava Ronald Hood, que caiu em chamas na cidade de Point-à-Vendin. Ronald foi abatido a cerca de quinze quilômetros de onde seu irmão Douglas faleceu.
O capitão Wynn reagiu ao ataque, mas sem sucesso. O avião de Wynn foi danificada no motor, o qual parou e o Capitão teve que abandonar o combate e direcionar seu avião para o solo. O corpo de Ronald Hood nunca foi encontrado pelos ingleses.
Em Arras, há um memorial com os nomes dos pilotos que morreram em combate na I Guerra Mundial.
Fontes: tokdehistoria, findagrave, iwm, astreetnearyou, fold3, bedfordregiment, luftwaffe39
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Por Juliana Hembecker Hubert





