Radom cercada: o massacre da bolsa central
03/02/2026 10:00
No coração da Polônia central, enquanto Varsóvia se preparava para o cerco final, Radom tornou-se epicentro de uma das maiores derrotas polonesas da campanha setembrina. Entre 8 e 9 de setembro de 1939, cerca de 60 mil soldados poloneses foram destruídos em uma bolsa mortal pelas forças alemãs, em combate que expôs as limitações da defesa polonesa contra a Blitzkrieg em campo aberto.
A armadilha se fecha no centro do país
Radom ocupava posição crucial entre Kielce e o Vístula: principal rota de retirada para Varsóvia e último ponto de coesão para três divisões poloneses em colapso após derrotas anteriores. A 10.ª Exército alemã (general Reichenau), reforçada por Panzergruppe Kempf, executou perfeito movimento de pinça: flanco norte pela 1.ª Panzer e 4.ª Leichte, flanco sul pela 2.ª Exército, cortando Radom do resto do exército.
Desde 7 de setembro, os poloneses tentavam reagrupar forças dispersas da "Grupo Kielce", mas comunicações falharam e reconhecimento subestimou a velocidade alemã. Na noite de 8 de setembro, 45 mil homens estavam encurralados em bolsão de 20x15 km, sem chance de romper para leste.
Dois dias de aniquilação sistemática
O 8 de setembro amanheceu com bombardeio aéreo maciço: 300 Stukas da VIII Fliegerkorps pulverizaram concentrações polonesas ao redor de Radom. Tanques Panzer III e IV avançaram implacavelmente, enquanto infantaria motorizada limpava bolsões de resistência. Os poloneses responderam com carga de cavalaria desesperada uma das últimas da história militar contra blindados alemães, terminando em carnificina.
Na tarde do dia 8, colunas Panzer romperam linhas externas, isolando completamente a bolsa. Generais poloneses tentaram suicídio coletivo com granadas; outros escaparam em pequenos grupos através de campos minados. A 9 de setembro, artilharia alemã de 150mm martelou posições restantes por 12 horas contínuas, seguido por assalto final que destruiu 30 mil poloneses em poucas horas.
O maior desastre tático da campanha
Radom custou aos poloneses 16 mil mortos, 21 mil prisioneiros (incluindo dois generais), 229 canhões e toda coesão do centro do exército. Os alemães perderam apenas 1.500 homens demonstração brutal da superioridade da Blitzkrieg contra forças convencionais em campo aberto.
O desastre acelerou colapso geral: sem centro, Exército Cracóvia não pôde cobrir Varsóvia pelo sul; Kielce caiu imediatamente. Radom abriu caminho definitivo para cerco da capital, condenando última esperança polonesa de defesa organizada.
Lição amarga para a história militar
A Batalha de Radom tornou-se estudo de caso nas academias militares: exemplo clássico do que não fazer contra guerra mecanizada. Concentração inadequada em terreno descoberto, falta de cobertura antitanque, comunicações primitivas todos falharam catastroficamente contra coordenação alemão.
Para memória polonesa, os dois dias de setembro de 1939 em Radom simbolizam tragédia máxima da campanha: não por heroísmo estéril como Wizna, mas por decisão tática desastrosa que custou um exército inteiro. As planícies ao redor da cidade industrial tornaram-se cemitério da esperança polonesa de 1939, onde 60 mil homens desapareceram em 48 horas da história.
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Murilo Hubert Schenfeld
Jornalista – Registro nº 0012468/PR





