Traumas de guerra- Shell shock

Traumas de guerra- Shell shock

05/04/2018 10:00

A I Guerra Mundial teve seu início em 28 de julho de 1914, em virtude do assassinato de Francisco Ferdinando, e terminou em 11 de novembro de 1918.  Nesse conflito, que envolveu grandes potências mundiais, apesar de ser uma guerra de trincheiras, houveram grandes avanços bélicos, as armas ficaram mais mortais, usou-se o temido gás de mostarda, entre outras coisas que sabemos em virtude das aulas de história. O que não se sabe muito, são os traumas de guerra sofridos pelos militares durante a I Guerra.

Shell shock foi um termo muito utilizado durante a I Guerra Mundial para descrever o estresse pós traumático da guerra. Diferente de tudo que já se tinha visto, o mundo se deparou com uma guerra diferente. Os soldados sofriam de forma intensa devido ao bombardeiro incessante, as granadas atiradas nas trincheiras e as batalhas produziram uma série de efeitos em alguns soldados. 
 

Sua origem ocorreu nos primeiros estágios da Guerra, onde os soldados da Força Expedicionária Britânica começaram a relatar que sentiam amnésias, dores de cabeça, tontura, tremores após algum combate. Durante a Guerra, a definição de shell shock foi mal definido. Sendo interpretado como um  dano físico ou psicológico ou por simplesmente por uma falha moral, tal termo entrou em uso para refletir uma ligação entre os sintomas e os efeitos das explosões. Tal termo foi usado pela primeira vez pelo médico Charles Myers, em 1917.

O mais difícil, no entanto, foi entender o que levou alguns soldados a entrarem em pânico e a sofrerem os extremos do trauma. No início da Guerra, acreditava-se que o shell shock era o resultado de uma lesão física dos nervos, ou seja, o resultado de ser enterrado vivo ou de estar exposto a um bombardeio intenso, poderiam desencadear tal trauma. 

Contudo, haviam muitos homens que sofriam do mesmo sintoma sem terem estado na linha de frente. Diante disso, muitos médicos começaram a enfatizar que, cada vez mais, os fatores psicológicos seriam uma causa suficiente para que os soldados entrassem em colapso. 

No início da onda de shell shock, as baixas foram rapidamente evacuadas da linha de frente de batalha em virtude do comportamento imprevisível dos soldados. Contudo, a medida que o tamanho da Força Expedicionária Britânica aumentou, o número de casos tornou-se um problema. Na Batalha de Somme, no ano de 1916, cerca de 40% dos soldados ficaram no estado de choque. Em virtude disso, na Batalha de Passchendaele, de 1917, o Exército Britânico desenvolveu alguns métodos para que fosse reduzidos os traumas de guerra, como dar alguns dias de descanso para o soldado que começasse a apresentar algum dos sintomas.

Mas, havia cura para esse trauma de guerra? Desde o início do tratamento, o objetivo era de restaurar o maior número do homens para as batalhas. Durante a I Guerra, 4/5 dos homens que estavam em tratamento hospitalar, que sofriam dos traumas não puderam voltar para o front.

Os soldados que chegaram ao Hospital Netley, que era dedicado aos militares que sofriam de shell shock, relatam que eram recebidos em silêncio, como se fossem ignorados pelas demais pessoas, que era uma mistura de raiva e vergonha.

Em outubro de 1917, o poeta Siegfried Sassoon descreveu bem o que os militares passaram, através de um poema chamado "Sobreviventes":

No doubt they'll soon get well; the shock and strain / 

Have caused their stammering, disconnected talk. /

 Of course they're 'longing to go out again', - / 

These boys with old, scared faces, learning to walk. /

 They'll soon forget their haunted nights; their cowed /

 Subjection to the ghosts of friends who died, - / 

Their dreams that drip with murder; and they'll be proud /

 Of glorious war that shatter'd their pride... / 

Men who went out to battle, grim and glad; / 

Children, with eyes that hate you, broken and mad.

Tradução:

Não há dúvida de que logo vão melhorar; o choque e a tensão /

Causaram sua conversa gaguejante e desconectada. /

Claro que eles estão ansiosos para sair de novo.

Esses garotos com rostos velhos e assustados, aprendendo a andar. /

Eles logo esquecerão suas noites assombradas; sua intimidação /

sujeição aos fantasmas dos amigos que morreram, - /

Seus sonhos que gotejam com o assassinato; e eles ficarão orgulhosos /

Da gloriosa guerra que despedaçou seu orgulho ... /

Homens que saíram para a batalha, sombrios e contentes; /

Filhos, com olhos que te odeiam, quebrados e loucos.

Alguns militares que sofriam dessas condições foram levados para julgamento e, alguns executados por crimes militares, deserção e covardia, sendo que tais execuções não eram comuns no Tribunal Britânico. Haviam mais de 3000 sentenças de morte proferidas, sendo que, apenas 346 foram efetivamente cumpridas (266 por deserção, 18 por covardia, 7 por abandonar um posto sem autoridade, 5 por desobediência). No ano de 2006, o Governo Britânico concedeu a todos os militares executados o perdão condicional póstumo. 

Na Segunda Guerra o diagnóstico de shell shock foi substituído pelo termo "estresse de combate", algo semelhante, mas não igual ao termo "trauma de guerra" ou shell shock utilizado anteriormente.

Nas fotos abaixo de soldados, são algumas das imagens mais perturbadoras da I Guerra, pois mostram um lado que não é discutido com frequência:

 

 

Também há vídeos da época, o qual demonstram os sintomas sofridos pelos soldados:

 

  

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 Por Juliana Hembecker Hubert