USS R-12 – A morte de dois oficiais brasileiros
29/04/2020 10:00
Em 25 de junho de 1943 a Marinha Norte Americana fez o seguinte comunicado:
“O Submarino R-12 dos EUA, enquanto participava de exercícios de treinamento, foi perdido recentemente na costa leste dos Estados Unidos.
Vários oficiais e homens não conseguiram escapar do navio antes que afundasse. A profundidade da água torna impossível salvar o submarino, e a esperança foi abandonada pela recuperação dos corpos do pessoal desaparecido. Os parentes mais próximos foram informados.
As informações obtidas dos sobreviventes indicam que a perda provavelmente ocorreu devido a acidentes e não a ações inimigas, e agora está em andamento uma investigação para determinar os fatos disponíveis no caso.
O anúncio desse incidente foi retido até que as tentativas de localizar e elevar o R-12 fossem descontinuadas, para que os submarinos inimigos não pudessem receber informações que permitissem atacar os navios de resgate.”
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O USS R-12 era um submarino da classe R-1 pertencente à Marinha do Estados Unidos, teve sua construção finalizada em 28 de março de 1918 em Quincy, Massachussets, pela Fore River Shipbuilding Co. Possuía 56,7 m de comprimento, largura de 5,5 m e um calado de 4,5 m. Equipado com 2 motores a diesel e dois motores elétricos, atingia a velocidade de 13,5 nós na superfície e 10,5 nós quando submerso. Era equipado com um lançador de torpedo de 3”, 4 lançadores para torpedos de 21” e um canhão calibre 50 no deck.
O R-12 permaneceu em Boston até março de 1920, quando seguiu para Nova Londres ficando ali até maio do mesmo ano. Depois seguiu para o sul, atravessou o canal do Panamá, chegando na base de Pearl Harbor em 6 de setembro de 1920, onde permaneceu até 12 de dezembro de 1930, realizando exercícios ocasionais.
De 1931 a 1942 realizou diversas missões de treinamento em Coco Solo, na costa oeste em Cape Cod e Ilhas Virgens, partindo em 1º de julho para a Baía de Guantánamo. Alternou suas operações pela baía cubana e Key West até fevereiro de 1943, recebendo ordem de voltar ao seu porto de origem com uma pequena parada nas Bermudas. Em 1º de maio, partia novamente para Key West.
Nesta época, os Estados Unidos já estavam oficialmente na Guerra em resposta à declaração feita inicialmente pela Alemanha em 11 de dezembro de 1941.
O Brasil relutava a entrar no conflito, mesmo tendo 21 navios afundados pelas forças do eixo até 19 de agosto de 1942. Foi só em 22 de agosto de 1942 que o Presidente Getulio Vargas declarou “estado de beligerância" com a Alemanha Nazista e a Itália Fascista, cendendo à pressão popular e principalmente à pressão norte americana.
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Faltava muito para o envio de tropas brasileiras para o front, mas os preparativos e treinamentos tinham que começar. Ainda que sem autorização prévia da Marinha Brasileira, alguns oficiais partiram da base de Natal em um avião americano para iniciar seus treinamentos. Entre eles estavam:
Alberto Gonçalves Rosauro de Almeida

Rosauro de Almeida nasceu nos dia 16 de maio de 1915, ingressou na Escola Naval em em marco de 1931. Alcançou o posto de 2º Tenente em abril de 1935, foi promovido a 1º Tenente em em novembro de 1936 e por ultimo, recebeu a promoção a Capitão-Tenente em janeiro de 1941. Era formado no curso de Submersíveis e Armas Submarinas e no curdo de Condução de Agulha Giroscópica nos Caças Submarinos nos EUA. Havia participado de várias viagens pelas costas brasileira, norte americana e européia.

Julio Lima de Moura

De Moura nasceu em 19 de setembro de 1914, ingressou na escola naval em março de 1933, alcançou o posto de 2º Tenente em fevereiro de 1937, 1º Tenente em agosto de 1938 e Capitão-Tenente em Janeiro de 1943. Era especialista em Máquinas e havia feito o curso de Motores nos EUA.
Os dois comandantes brasileiros estavam à bordo do USS R-12 para acompanhar uma missão de treinamento.
Com 47 tripulantes a bordo e liderados pelo Tenente-Coronel Edward E. Shelby, o USS R-12 zarpou para o mar de Key West no dia 12 de junho de 1943 às 07:16. Às 08:15 submergiu para realizar treinamentos sonoros em conjunto como iate costeiro Coral (PY-15).
Após a conclusão do exercício o R-12 emergiu e o Coral voltou para a costa. A próxima etapa do treinamento seria o disparo de torpedos. O Comandante ordenou a troca dos motores a diesel para os motores elétricos, ajustou o curso e começou a navegar em direção à área de treinamento. Estavam navegando no curso 275 graus a 9 nós, preparando-se para mergulhar novamente.
Por volta das 12:23 o tenente Roger N. Starks, segundo oficial e navegador do R-12, teria relatado o inundamento do compartimento frontal das baterias. Foi soado o alarme de colisão. O Tenente-Coronel Shelby, da ponte, ordenou o fechamento dos tanques de lastros 1 e 2. Mas a ordem foi em vão, pois o R-12 inclinou para frente e afundou rapidamente, levando com seus 42 oficiais e homens. Desde o alerta até o naufrágio, não se passaram mais de 15 segundos.
Somente os ocupantes da ponte sobreviveram: tenente-Coronel Shelby, tenente William D. Whetstone Oficial de Convés, Torpedeiro de 3º Classe Edward F. Zielinski da reserva, Torpedeiro de 3º Classe John Kapral da reserva e o Sub Oficial de 2º Classe Sydney H. Pool também da reserva, que ajudaram a manter uma escotilha fechada em uma tentativa para dar às pessoas abaixo a chance de sobreviver.
De Almeida de De Moura foram os dois primeiros oficiais da Marinha Brasileira a morrem em serviço, sendo logo após o acidente promovidos a Capitão de Corveta.
Foram condecorados postumamente em 11 de junho de 1945 com a medalha Serviço de Guerra, de que trata Decreto-lei n° 6.095. de 13 de dezembro de 1943.

Na praça da Base Almirante Castro e Silva, no Rio de Janeiro, foi erigido um monumento em homenagem a estes dois Marinheiros entre outros, denominado “Submarino de Pedra”.

Em 2010, Tim Taylor e a equipe do RV Tiburon realizaram uma expedição para procurar os destroços do USS R-12, obtendo êxito em outubro do mesmo ano. Novas expedições foram realizadas em 2012 e 2014 com o intuito de fotografar e mapear o submarino naufragado.
Após a descoberta, Christine Dennison e Tim Taylor realizaram uma busca dos familiares dos marinheiros sepultados no fundo mar, compartilhando suas descobertas e fazendo entrevistas com eles. Todo esse trabalho foi registrado em forma de documentário.
Em “Expedição R-12 - Descobrindo o Submarino Esquecido das Américas” é possível conhecer a história do USS R-12 e das expedições de busca. O documentário está disponível para visualização neste link (apenas em inglês).
Por Marcelo Cubis
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