V Mail: Cartas Militares na II Guerra

V Mail: Cartas Militares na II Guerra

29/09/2020 10:00

A guerra foi o estopim de um grande número de invenções, sendo algumas delas novas e outras somente algumas alterações feitas em tempo de guerra às práticas existentes. 

Muitos desses desenvolvimentos continuariam perdurando e evoluindo, enquanto outros permanecem empregados apenas durante a Segunda Guerra Mundial, como uma maneira de atender a uma necessidade específica de tempo de guerra.

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O sistema de correspondência militar e a quantidade de cartas circulando internacionalmente durante a guerra foram enormes. A cada ano de guerra, as correspondências aumentavam significativamente.

O V-Mail era a abreviação de Victory Mail, um serviço de correio híbrido utilizado pelos EUA durante a II Guerra Mundial, como um método seguro de corresponder com os soldados no front.

Esse tipo de sistema postal foi criado especificamente durante a Guerra a fim de reduzir drasticamente o espaço para transporte das cartas, liberando espaço para outros suprimentos.

Dessa forma, para reduzir custos de transporte, as cartas seriam copiadas para um filme, as quais eram impressas quando chegassem no seu destino. 

A correspondência em tempos de guerra era feita em pequenas folhas de papel padronizadas, que iria passar por censores, antes de serem fotografados e feitas miniaturas em negativo microfilme. Ao chegar ao seu destino, a carta era impressa em papel e entregue. Esse serviço foi projetado pela Eastman Kodak foi lançado em 15 de junho de 1942 e tornou-se o principal método de comunicação entre soldados na linha de frente e a família e mostrou ser extremamente eficaz.

Esse sistema de V Mail, além de reduzir drasticamente o espaço para envio das cartas, também acabou impedindo a espionagem, uma vez que, somente as cópias das cartas eram enviadas, as tintas invisíveis e micropontos foram inutilizados. 

Havia três centros postais gigantes em Nova York, São Francisco e Chicago e toda a correspondência foi canalizada através desses centros, onde a Kodak treinou cineastas para trabalharem com as máquinas de microfilmagem: Recordak. A Recordak podia filmar 40 letras por minuto e 1600 letras eram acomodadas por rolo.

O papel para envio

Uma parte interessante deste sistema de envio era o uso de um papel padronizado (carta e envelope), que, mesmo sem realizar a microfilmagem, economizaria um grande espaço.

A folha era projetada pelo Government Printing Office e era fornecido de forma gratuita pelos Correios, mas somente duas folhas por pessoa.

Todo papel que era fornecido, tinha que ser do mesmo tamanho e peso, para que as páginas pudessem ser colocadas na máquina para o processo de microfilmagem. 

Também havia a instrução de escrever as cartas com máquinas de escrever, tinta escura ou lápis escuro, uma vez que a escrita fraca não era adequada para microfilmar. 

Desvantagens

Apesar de várias facilidades, o V Mail teve sim suas desvantagens. 

Como as impressões eram 1/4 do tamanho real das cartas originais, se a impressão fosse muito pequena, a versão impressa da carta poderia se tornar ilegível. Por esse motivo, algumas lojas vendiam os 'leitores de V Mail", que nada mais eram que lupas. 

Outra desvantagem é que não era possível o envio de caixas ou outros objetos, nem deixar algo mais pessoal, como enviar um beijo de batom ao seu amado que está no front. 

As cartas sujas, danificadas ou amassadas eram enviadas no estado em que se encontravam, sem microfilmagem. 

Mas, apesar desses pequenos incômodos, o V Mail foi um sucesso.

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Curiosidades:

- Entre junho de 1942 e novembro de 1945, foram processados ​​mais de 1 bilhão de V-mails.

- Embora o sistema V-mail tenha sido usado apenas entre junho de 1942 e novembro de 1945, mais de 1 bilhão de cartas foram processados ​.

-Usando o processo V-Mail, 1.600 cartas podem ser colocadas em um rolo de filme do tamanho de um maço de cigarros. 

-Na Inglaterra, era utilizado o Air Mail Letter Cards (AMLC), um pedaço de papel fino, leve e gomado para escrever uma carta para transporte por via aérea. No início da Segunda Guerra Mundial, as forças militares britânicas adotaram a AMLC para comunicação entre militares e suas famílias e foram amplamente popularizadas por seu uso.

Fontes: nationalww2museum, mashable, smithsonianmag, dday, atlas-repropaperwork

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 Por Juliana Hembecker Hubert



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