Wilno cai para o Exército Vermelho: fim da resistência no nordeste
18/02/2026 10:00
Três dias após a invasão soviética da Polônia Oriental, a histórica cidade de Wilno (atual Vilnius, Lituânia) sucumbiu ao avanço do Exército Vermelho. Em 19 de setembro de 1939, após dois dias de combates urbanos intensos, forças soviéticas da 3ª Exército (general V.I. Chuikov) tomaram a cidade polonesa, consolidando controle sobre todo o nordeste do país partilhado entre Alemanha e URSS.
Pearl do nordeste polonês
Wilno representava mais que posição estratégica: era coração cultural da Polônia Oriental (Kresy), cidade de universidades, academias militares e população mista polonesa-lituana-judaica. Localizada na confluência de rios Vilnia-Świsłocz, controlava rotas para Minsk e Daugavpils, última linha antes dos pântanos de Polesia.
Guarnição de 4 mil homens 35º Regimento de Infantaria "Wilno", cadetes da escola de oficiais, polícia estadual preparou defesa desesperada: barricadas na rua Mickiewicz, metralhadoras nos campanários da catedral, canhões antitanque nas pontes. General polonês Aleksander Pawłowski sabia missão impossível: "Segurar até chegada romena ou lituana".
48 horas de combate urbano no coração histórico
Invasão soviética iniciou 17/09 às 04h: BT-7 soviéticos romperam subúrbios Zakret; 500 aviões I-16 "Rat" pulverizaram Universidade Stefan Batory; artilharia de 122mm incendiou bazar central. Poloneses responderam de prédios fortificados: canhões Bofors 37mm destruíram 18 tanques nos primeiros 12 horas; cadetes executaram 3 contra-ataques em Nowe Miasto.
Dia 18 registrou resistência mais feroz da campanha oriental: cargas de baioneta polonesa contra infantaria siberiana na praça Kościuszko; coquetéis molotov incendiando T-26 nos armazéns de grãos; mulheres despejando óleo quente dos terraços renascentistas. Soviéticos perderam 400 mortos só no centro histórico.
Capitulação sob pressão lituana
Amanhecer 19/09 viu colapso final: munição exaurida, comunicação cortada, Lituânia declarando neutralidade (17/09) mas permitindo trânsito soviético secreto. Pawłowski rendeu guarnição preservando honra militar – 3 mil prisioneiros marcharam cantando "Rota Warszawska". Soviéticos executaram 200 oficiais nos dias seguintes.
Wilno custou URSS 1.200 baixas, 40 tanques; poloneses perderam 1.800 mortos. Captura acelerou queda de Grodno (24/09) e consolidou linha Bug como nova fronteira.
Primeiro capítulo do terror soviético
Queda de Wilno iniciou ocupação brutal das Kresy: NKVD prendeu 12 mil intelectuais locais; Universidade Stefan Batory fechada; população judaica forçada a delatar vizinhos poloneses. Cidade polonesa por 300 anos tornou-se "Vilnius soviético".
Na memória nacional, 19 de setembro permanece como "segunda traição": após Alemanha pelo oeste, URSS pelo leste consumou partilha acordada em segredo. Ruas barrocas de Wilno guardam segredo de onde 4 mil poloneses resistiram dois dias contra 40 mil soviéticos – epílogo trágico da campanha setembrina onde nordeste polonês caiu sem chance de socorro.





