13 de janeiro de 1943 - O U-507 é afundado no litoral do Ceará
13/01/2021 10:00
O submarino alemão U-507 era um tipo IXC U-Boot, o qual tinha capacidade de armazenamento de 43 toneladas de combustível, o que aumentava o alcance do submarino.
O U-507 estava no Estaleiro Deutsche Werft em Hamburgo, quando foi comissionado para o serviço Kriegsmarine em outubro de 1941.
Tendo quatro patrulhas de guerra em suas missões, o U-507 percorreu até o Golfo do México até as rotas do comboio Brasil-África do Sul e também ao longo da costa brasileira entre 1941 e 1943.
Siga-nos no Facebook
De suas quatro patrulhas, três foram consideradas bem-sucedidas, com o U-507 creditado pelo afundamento de 19 navios mercantes, totalizando 77.143 toneladas e danificando um navio pesando 6.561 toneladas.
Em tempos de guerra, afundar navios mercantes era prática comum, e os ataques dos submarinos alemães aos navios da marinha mercante que trafegavam entre o Brasil e os Estados Unidos foram bem comum.
O Brasil, até então, era um país neutro e o afundamento de seus navios mercantes não eram justificáveis. Os torpedeamentos eram noticiados na imprensa, repercutindo de maneira muito negativa, causando revolta na população e gerando sentimento de aversão à Alemanha
Leia mais sobre alguns dos navios torpedeados:
O U-507 foi enviado à costa brasileira pois Hilter estava irritado com o governo Vargas por diversos motivos, entre os quais podemos destacar o rompimento de relações diplomáticas com a Alemanha, a descoberta de uma rede de espionage, acordos com os Estados Unidos e a presença de tropas americanas em território brasileiro.
O comandante da Marinha Alemã, Almirante Erich Raeder, em 15 de junho de 1942, se reuniu com Hitler, que aprovou um ataque submarino em massa aos portos brasileiros e à navegação costeira, denominado “Operação Brasil”. Posteriormente, vários submarinos, relatados variadamente como oito a dez, deixaram os portos franceses rumo ao Atlântico sul.
Existe alguma confusão sobre quando a “Operação Brasil” foi cancelada e quando e quem ordenou os ataques em agosto.
A realidade surpreendente é que, em vez de uma matilha de submarinos, havia apenas um submarino, o U-507, comandado pelo Tenente Comandante Harro Schacht, cujos procedimentos de ataque eram notavelmente desumanos.
Na tarde de 4 de julho de 1942, o U-507 de Schacht e um navio companheiro U-130 partiram para o oceano aberto do porto de Lorient, na costa da Bretanha. O destino deles era um trecho de oceano entre as ilhas de São Pedro e São Paulo e as ilhas de Fernando de Noronha.
A viagem dos U_Boot foi tranquila, exceto por um encontro com um contratorpedeiro equipado com sonar, que detectou o U-507 e lançou quatro cargas de profundidade. As cargas não acertaram o submarino, mas causaram alguns danos leves que produziram um som constante e alto que Schacht temia poder ser detectado à distância.
Na tarde de 23 de julho, os dois submarinos alemães receberam seus quadrantes de patrulha.
Eles estavam patrulhando um trecho do Atlântico entre Dakar e o Brasil, com foco em comboios e embarcações individuais vindos de Trinidad e Georgetown.
Suas ordens levaram os dois submarinos em direções autônomas, sendo que o Brasil estava além de sua área. Então, como o U-507 foi parar nas águas brasileiras?
O U-507 de Schacht estava sozinho e sem ver alvos, a tripulação praticou ações como submergir e disparar o canhão do convés. Em mais de um mês desde que deixou Lorient, o U-507 não havia disparado um único torpedo.
Curta nosso Instagram
Ademais, por cerca de dez dias não viu nenhum navio, o que o levou a pensar que o tráfego marítimo havia sido desviado para o oeste em direção à costa brasileira.
Em 3 de agosto, o submarino estava a 90 milhas náuticas da costa do Ceará quando voltou para o mar aberto. Na madrugada de 7 de agosto, Schacht pediu licença ao Comando do Submarino para operar livremente na costa brasileira. Cerca de 15 horas depois, recebeu resposta positiva ao seu pedido.
Em 14 de agosto, uma mensagem de rádio para Schacht enfatizou Recife como um ponto de reabastecimento e reunião para comboios e navios da Flórida via Georgetown para Natal, Ilha de Santa Helena e Cidade do Cabo.
Schacht se instalou no litoral da Bahia, pois corria menos chance de ser descoberto antes que pudesse atacar. Se o U-507 fosse detectado, ele poderia mergulhar nas águas profundas da Bahia.
*Schacht foi um dos 2% dos comandantes de submarinos da Marinha alemã, responsáveis por 30% dos naufrágios durante a guerra.
Porém, ao deixar seu quadrante fez com que o U-507 errasse os alvos de carga importantes, como o “Navio do Tesouro”, que transportava 250 tanques Sherman com destino à Cidade do Cabo e, via Mar Vermelho, ao Porto Suez.
A próxima ação de Schacht causaria uma guerra entre Brasil e Alemanha. Ele estava indo para o sul longe de Recife e em direção a Salvador da Bahia. As instruções do Comando Submarino permitiam atacar sem avisar todos os navios mercantes que navegassem com as luzes apagadas. Ele sabia que os navios de cabotagem brasileiros transportavam cargas e passageiros.
O navio Baependy, que havia sido lançado 40 anos antes e caído nas mãos de brasileiros durante a Primeira Guerra Mundial, estava com as luzes acesas, mas sua bandeira e nome estavam no escuro.
Enquanto Schacht manobrava para a posição de ataque, ele viu uma luz no horizonte e lançou dois torpedos.
A bordo do Baependy, os brasileiros tinham acabado de jantar e se reuniam para comemorar o aniversário de um tripulante. a bordo também estavam soldados, sendo a maioria cariocas, que estavam no convés.
Porém, Schacht calculou mal a velocidade do Baependy e os torpedos não atingiram o navio. Diante disso, Schacht se direcionou para a frente do navio e voltou em um ângulo melhor antes de lançar mais dois torpedos às 19:12.
O capitão Lauro Mourinho dos Reis, do Sétimo Grupo de Artilharia, lembrou que fragmentos de vidro e madeira voaram em todas as direções cortando e matando. O segundo torpedo atingiu a sala de máquinas, as luzes se apagaram, deixando todos lutando por uma saída no escuro. No convés, as chamas se espalharam pela noite. Para os 28 sobreviventes no barco salva-vidas solitário, seria uma longa e dramática noite de terror antes de chegarem à terra.
Schacht sabia que havia atingido um navio de passageiros, mas não fez nada para ajudar os sobreviventes. Em vez disso, ele atacou o segundo navio, o Araraquara, um navio de luxo relativamente novo. Duas horas depois de afundar o Baependy, o torpedo do U-507 afundou o Araraquara.
No dia 16 de agosto, às 2:10 da manhã, no litoral norte da Bahia, a terceira vítima foi o Anibal Benevolo, com 154 passageiros e tripulantes a bordo. O navio afundou em 45 segundos.
Antes da madrugada do dia 17, o U-507 voltou para águas profundas, onde às 8:41 avistou um navio que ia para o norte. Era o Itagíba, levando o restante do Sétimo Grupo de Artilharia do Exército entre outros passageiros. A uma distância de 1000 metros, o torpedo atingiu o navio no meio.
De Recife, o contratorpedeiro USS Somers e o cruzador USS Humboldt seguiram para o sul, e os hidroaviões do esquadrão VP-83 voaram em patrulha.
Enquanto isso, Schacht, em 18 de agosto, havia levado o U-507 ao mar para fazer reparos em um problema mecânico em um tubo de lançamento.
O hidroavião PBY Catalina 83P6 encontrou o submarino exposto na superfície e atacou com metralhadoras e cargas de profundidade. O U-507 submergiu rapidamente e não houveram danos no submarino, o ataque apenas caousou vazamento em um tanque de óleo.
No Rio de Janeiro, os jornais deram as notícias dos afundamentos dos navios e a população carioca, ao saber dos ataques, tomou as ruas da cidade durante dois dias, exigindo retaliação, vingança e guerra.
A imprensa internacional e diversos embaixadores manifestaram solidariedade ao governo e ao povo brasileiro diante dos ataques do submarino.
Diante do ato de guerra alemão e dos protestos que tomaram o país, o governo Vargas, poucos dias depois, em 22 de agosto, declarou guerra aos países do Eixo.
Mas Schacht continuou seus ataques. Mas os problemas com a mira dos torpedos irritavam o capitão de corveta, e praticamente sem munição, o U-507 retornou à base francesa de Lorient.
O U-507 voltou ao mar no final de novembro de 1943 e voltou ao Brasil, onde patrulhou o Ceará e o Rio Grande do Norte, com o objetivo de afundar navios brasileiros.
No entanto, as Forças Armadas brasileiras estavam sendo equipadas pelos Estados Unidos e navios e aviões norte-americanos vigiavam o Atlântico, atacando submarinos alemães e italianos.
No dia 13 de janeiro de 1943, após 15 meses navegando em águas brasileiras, o U-507 foi atacado com cargas de profundidade por avião Catalina do Esquadrão da Marinha dos Estados Unidos no litoral do Ceará.
O local do ataque foi a 330 milhas da costa do Cabo São Roque.
As cargas causaram danos fatais ao longo de todo o comprimento do submarino, bem como inundações incontroláveis. Com o controle de flutuabilidade perdido, o U-507 afundou com todos os seus tripulantes.
Fontes:military, redalyc, wikimapia, defesanet, weaponsandwarfare, hydro-international, mardoceara
Por Juliana Hembecker Hubert
Também temos dois grupos de discussão sobre as Guerras no Facebook. Se você tem algum post, foto, vídeo, curiosidades sobre as Guerras, não deixe de compartilhar conosco!! Grupo Guerras, Grupo II Guerra e Grupo da FEB.





