Monuments Men

Monuments Men

16/09/2020 10:00

Em março de 1945, quando os aliados estavam avançando para a Alemanha, um grupo de pessoas estava lutando para supervisionar o transporte de tesouros e relíquias da Igreja Christus König em Kleve. Eles eram os Monuments Men, e sem o trabalho desses curadores e professores, dezenas de milhares de obras de arte inestimáveis ​​teriam sido perdidas para sempre.

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Como se sabe, Hitler era aficionado por arte, e embora sua rejeição pela Academia de Belas Artes de Viena ter arruinado suas ambições em ser um artista renomado, ele logo voltou para a coleção de arte e, como chanceler da Alemanha e chefe do Partido, Hitler aproveitou muitas oportunidades para roubar obras de arte de valor inestimável das cidades que suas tropas ocupavam. A ambição era tanta que os alemães chegaram a remover vitrais de Igrejas, além de saquearem pinturas, esculturas, desenhos, relíquias religiosas e artefatos culturais de valor inestimável das igrejas, universidades e coleções particulares da Europa.

 

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Em Paris, o presidente do Reichstag Hermann Göring confiscou tanta arte que precisou de dois vagões para transportar para a Alemanha. Tudo isso para o planejado e almejado complexo de arte de Hilter, o Fuhrermuseum, em Linz, na Áustria, que seria o maior museu do mundo, usando toda as artes roubadas na Europa.

Tendo em vista esse grande saque de obras da humanidade, os historiadores de arte e diretores de museus, desde os primeiros dias da guerra, pressionaram os aliados para criar uma organização afiliada às forças armadas para identificar e proteger monumentos e arte. 

Quase 350 homens e mulheres de 13 países aderiram à unidade conhecida como "Monuments Men". Essas pessoas eram voluntárias e tinham diversas funções, como curadores de museus, estudiosos de arte, arquitetos, arquivistas, artistas e historiadores com idade média de 40 anos. 

Embora a maioria nunca esperasse ser chamada para o serviço quando a guerra começasse, alguns dos Monuments Men foram para a linha de frente.

Inicialmente, os Monuments Men tiveram a missão de ajudar os soldados protegendo igrejas, museus e os artefatos culturais dos danos de ataques. Essa foi uma missão ecoada pelo general Dwight D. Eisenhower, que no início do dia D, em 1944, ordenou que seus comandantes salvaguardassem monumentos históricos e centros culturais.

Com o fim da Guerra em 1945, o trabalho dos Monuments Men estava apenas começando. Em todo a Europa, os Monuments Men descobriram espólios escondidos nas profundezas de minas de sal, embalados dentro de caixas, em prédios abandonados e até escondidos em castelos.

Eles encontraram 1.500 repositórios de mercadorias roubadas somente no sul da Alemanha. Quando eles entraram na mina de sal de Altaussee, na Áustria, descobriram escondidos em seus 137 túneis mais de 6.000 pinturas, além de obras-primas como "Madonna of Bruges", de Michelangelo, e "Retábulo de Ghent".

Hitler reivindicou Altaussee como o refúgio perfeito para os saques destinados ao seu museu em Linz. No interior, as condições  de temperatura eram constantes, com cerca de 65% de umidade, ideal para armazenar a arte roubada. Os túneis mais profundos ficavam a mais de um quilômetro e meio da montanha, a salvo de bombas inimigas, mesmo que a localização remota fosse descoberta. 

Ao todo, foram encontrados somente na mina de sal  6.577 pinturas, 2.300 desenhos ou aquarelas, 954 gravuras, 137 peças de escultura, 129 armas e armaduras, 79 cestos de objetos, 484 estojos de arquivo, 78 móveis, 122 tapeçarias e mais de 1.200 estojos de livros, bem como pilhas de barras de ouro foram recuperadas.

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Foram necessários oitenta caminhões para transportar os materiais para Munique. Um castelo alemão possuía tantas obras de arte que levou seis semanas para mover tudo.

Por seis anos após a rendição da Alemanha, um grupo de cerca de 60 homens do Monuments Men continuou procurando na Europa pelas artes perdidas. Na Galeria Nacional de Arte de Washington DC, o grupo criou listas de tesouros europeus desaparecidos e os entregou a unidades militares, na esperança de que as peças pudessem ser reconhecidas e salvas.

Em 1951, o grupo havia resgatado e devolvido mais de 5 milhões de peças de arte. Mas a tarefa não terminou por aí! Em 2007, a Fundação Monuments Men para a Preservação da Arte iniciou as operações para continuar o trabalho do grupo original e ainda procura ativamente artefatos roubados da guerra até os dias de hoje. Centenas de documentos e obras de arte saqueados, incluindo peças de Monet, Van Gogh, Cezanne, Rodin e Botticelli, ainda permanecem desaparecidos. 

 

Fontes: BBC, historyextra, thevintagenews, DW, ABCNews, smithsonianmag, history

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Por Juliana Hembecker Hubert



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